<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806</id><updated>2011-10-02T05:35:49.813-07:00</updated><title type='text'>Pelas ruas e cabides</title><subtitle type='html'>Espaço para refletir e dividir as minhas experiências de campo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-6925099296593521792</id><published>2010-08-19T18:54:00.000-07:00</published><updated>2010-08-19T19:34:36.840-07:00</updated><title type='text'>Moda e "Não-Moda"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3hLCqGb4I/AAAAAAAAAMk/dAiQDlwJ9As/s1600/Burma5.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 360px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3hLCqGb4I/AAAAAAAAAMk/dAiQDlwJ9As/s400/Burma5.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507305499152248706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulheres em Burma.  Foto: Regula Beck&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha observação empírica se concentra sempre no vestuário e suas possibilidades.   No entanto, quando falo de roupa, de modo geral, as pessoas associam logo com MODA.   Isso ocorre porque na nossa sociedade a forma de se vestir ficou muito proximamente associada com a moda.  Mas moda e vestuário são conceitos distintos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo francês Gilles Lipovestsky observou que o surgimento da moda foi possível em uma sociedade que começava a tomar gosto pelas novidades.  Isso se deu, em especial na Europa por volta do século XV quando o comércio com Oriente se intensificou levando àqueles que tinham acesso aos bens estrangeiros, novas cores, novos tecidos, novos estilos.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as sociedades tradicionais são temerosas frente ao novo, e preferem manter outros critérios para o uso do vestuário e do adorno.  Esses critérios delimitam o uso de determinados elementos para marcar status social, estado civil, pertencimento.  O que eu poderia chamar de  “Não-moda” é estática, mas isso não significa que não sofra mudanças ao longo do tempo.  Já a moda, por seu conceito, é cada vez mais dinâmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste post, incluí algumas imagens com etnias que se vestem de modo tradicional, ou seja, não elegem o que vestem mirando-se no que está na moda, mas obedecem os padrões tradicionais de seu povo.  Vou mostrar alguns casos que observei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3jKDF55yI/AAAAAAAAAMs/6UQC5i9k950/s1600/Digitalizar0003.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3jKDF55yI/AAAAAAAAAMs/6UQC5i9k950/s400/Digitalizar0003.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507307681112254242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Indio Pataxo na Reserva proxima a Porto Seguro. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta foto mostra um índio Pataxó na reserva próxima à Porto Seguro-BA.  O interessante foi que, quando perguntei a ele como se vestia quando estava em sua casa, na cidade, ele me respondeu: “lá, eu me visto normal”.  Ou seja, com este discurso percebo o esforço em manter viva a tradição de seu povo, porém, eles sabem que sua integração na cidade dependerá da forma de se vestir.  Por “normal”, entendi que ele identificou o jeito da cidade como incorporado ao seu cotidiano.  Vestir-se de modo “tradicional” era exceção.  E assim, a boa e velha calça jeans e a camisa ocupam o guarda-roupas deste moço quando ele não está na reserva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3kj6-FgKI/AAAAAAAAAM0/NbysjzVsnGI/s1600/IMG_2727.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3kj6-FgKI/AAAAAAAAAM0/NbysjzVsnGI/s400/IMG_2727.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507309225120202914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher em Ollantaytambo.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher em Ollantaytambo (Peru).  Seu traje colorido com estampas geométricas é o que ela veste em seu dia-a-dia.   O chapéu também tem seu formato específico com desenhos que remetem à sua etnia.  Mantem, portanto, a forma tradicional de se vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3lfasVTJI/AAAAAAAAAM8/2C50s6JsXJA/s1600/IMG_3919.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3lfasVTJI/AAAAAAAAAM8/2C50s6JsXJA/s400/IMG_3919.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507310247247957138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher em Otovalo.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher de Otovalo vendia lenços.  Num primeiro momento, pensei que sua figura se tratasse apenas de um elemento turístico, já que Otovalo é o lugar para se fazer compras nas proximidades de Quito.  No entanto, de volta a Quito, encontrei uma senhora otovaleña e seu marido.  Muito tímida, pouco falava, mas mostrou-me seu traje, muito parecido com o da moça acima.  Apontou seu colar de contas, como algo que fazia parte daquela indumentária.  Mostrou-se muito segura daquela forma de vestir, mesmo quando circulava pelo centro da capital do Equador, disputando seu espaço com turistas e citadinos em seu cotidiano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3mkvWeEoI/AAAAAAAAANE/E5gvq49zXlg/s1600/IMG_5850.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3mkvWeEoI/AAAAAAAAANE/E5gvq49zXlg/s400/IMG_5850.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507311438204375682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vestidos mexicanos.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os huipils das mulheres mayas no México, já foram tema de outro post que publiquei.   Percebi que as gerações mais jovens vêm abolindo o uso do traje considerado típico das mulheres mayas.   Ultimamente algumas delas o associam com turistas ou mesmo mulheres mais velhas.  No entanto, conversei com um senhor de origem maya que me garantiu que em seu pueblo, as mulheres da sua família, de todas as gerações ainda envergavam a roupa que é a marca da sua etnia.   Na cidade, todas se vestiam conforme a moda, pois, trabalhavam para empresas que se estabeleceram na região próxima à Cancun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3nbA21SpI/AAAAAAAAANc/KsDLb7Qtthg/s1600/Burma3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 270px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3nbA21SpI/AAAAAAAAANc/KsDLb7Qtthg/s400/Burma3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507312370616453778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3nag9tdZI/AAAAAAAAANU/-H7k98r-Sek/s1600/Burma4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 360px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3nag9tdZI/AAAAAAAAANU/-H7k98r-Sek/s400/Burma4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507312362055366034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3naeu4wqI/AAAAAAAAANM/653fsd_fV3g/s1600/Burma1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px; height: 270px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3naeu4wqI/AAAAAAAAANM/653fsd_fV3g/s400/Burma1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507312361456321186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Diferentes etnias em Burma.  Fotos: Regula Beck&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Burma, mais de 100 diferentes etnias convivem, e, cada uma, ainda mantem a sua tradição no vestir.  Numa das fotos, as já conhecidas “mulheres-girafa”, ou Padaung.  Parte desse povo migrou para a Tailândia, mas seu modo de vestir se converteu num atrativo turístico, especialmente, por conta do conhecido adorno que usa em volta do pescoço.  Apesar das explicações míticas, hoje os aros são apenas um adorno que faz parte da sua tradição de vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pergunta aqui é: podemos dizer que o uso de jeans e camisa, mencionado como roupa “normal” pelo Pataxo,  pode ainda ser associado ao conceito de moda?  Ou será que estamos “inventando” uma tradição de vestir?  Ou será que, vestir-se na moda é apenas ter a possibilidade de escolher?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-6925099296593521792?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/6925099296593521792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/08/mulheres-em-burma.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/6925099296593521792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/6925099296593521792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/08/mulheres-em-burma.html' title='Moda e &quot;Não-Moda&quot;'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TG3hLCqGb4I/AAAAAAAAAMk/dAiQDlwJ9As/s72-c/Burma5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-2883669834722501163</id><published>2010-08-06T11:38:00.000-07:00</published><updated>2010-08-07T16:01:02.650-07:00</updated><title type='text'>Betty, a inadequada!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TFxbkxCRipI/AAAAAAAAAMc/nyS0JwOIDjQ/s1600/Betty.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 250px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TFxbkxCRipI/AAAAAAAAAMc/nyS0JwOIDjQ/s400/Betty.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5502373531936197266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Betty, a feia.  Telenovela colombiana apresentada na emissora RCN.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz algum tempo, minhas amigas estranham o meu hábito de não ver mais novela brasileira, mas sim, as colombianas.   E tudo começou com Betty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A novela  “Yo soy Betty, la fea”  foi ao ar no Brasil pela RedeTV há uns oito anos atrás simplesmente como “Betty, a feia”.   Naquela ocasião, não lhe “pare bolas” como dizem nossos hermanos mas ajá, ou seja, não dei muita atenção.   Recentemente a internet e a boa vontade daqueles que postam capítulo por capítulo uma novela inteira num canal do youtube, me possibilitaram apreciar sem dublagem a história de Betty.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção original colombiana foi ao ar naquele país entre 1999 e 2001 pelo canal RCN (Radio Cadena Nacional), e, para além dos países que exibiram sua versão original, contei mais de 18 que fizeram um remake próprio.  Entre eles, nós mesmos, brasileiros, com “Bella, a feia”, recente produção da Rede Record.  Com esta, já é a quarta versão apresentada por aqui.  Além da colombiana, o SBT apresentou a mexicana “La fea mas bela” e a série americana “Ugly Betty”.    Mas o que teria Betty de tão especial para ter entrado, inclusive, no Guiness Book 2010 como a telenovela de maior sucesso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrita por Fernando Gaitán, a história de Betty pode ser analisada sob vários aspectos, mas o mais interessante, certamente, é acompanhar o sucesso pessoal e profissional de uma mulher considerada feia.  Um conto de fadas romantico e moderno?  Hum... pode ser. Mas, que conste: antes de qualquer análise, a classificação de “feia” é para ser pensada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história é a seguinte.  De um lado, Beatriz Pinzón Solano, a nossa Betty.  Uma economista brilhante com um curriculum invejável, mas com dificuldades para encontrar um trabalho na sua área.  O motivo?  Quando os analistas de Recursos Humanos olham a sua foto, preferem não chamá-la para uma entrevista.  Quando Betty decide enviar seu curriculum sem a foto, é finalmente, chamada, só que, para o cargo de secretária da presidência de uma das maiores empresas de moda da Colômbia, a Ecomoda.  Logo de moda!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outro lado, uma empresa familiar de onde seu fundador, Roberto Mendoza, se retira para gozar sua aposentadoria, deixando em seu lugar, seu egocêntrico filho, Armando Mendoza.  A família Mendoza fundou a Ecomoda junto com a família Valencia.  O casal Valencia, tendo se acidentado fatalmente, passa a ser representado por seus filhos, o arrogante Daniel, que disputa a sucessão da empresa com Armando, Marcela, a noiva de Armando e a desligada Maria Beatriz, que apenas goza dos polpudos cheques mensais que recebe por sua participação.  Na disputa pelo comando da empresa, Armando levou a melhor sobre Daniel, e agora precisa levar a cabo um plano cujas metas são bastante ambiciosas.  Ele conta com seu amigo e aliado Mario Calderón.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento,  iniciam a seleção da nova secretária de Armando Mendoza.  Marcela, sabendo da fama de conquistador de seu futuro marido, indica sua belíssima amiga Patricia Fernandez para o posto de secretária, principalmente para que “vigie” Armando em suas escapadas.  Certo disso, Armando incentiva a contratação de Betty, que, afinal de contas, tem muito melhor curriculum do que Patrícia, e, diga-se de passagem, do que de quase todos na empresa.  Ao fim, para não se indispor com a noiva, Armando contrata Patrícia, mas Betty é quem, entre outras atividades, cuidará de sua agenda pessoal, e o auxiliará com os balanços da empresa.  Patricia é bonita, mas não muito inteligente, e faz uma boa antagonista para Betty.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz Pinzón Solano, aos poucos se revela excelente profissional, além de fiel escudeira de Armando, sempre salvando sua pele, seja de Marcela, a noiva ciumenta, seja de Daniel, quando encobre os erros sucessivos que seu chefe comete em sua administração para permanecer na presidência.   Betty então conquista plenamente a confiança de Armando.  Tanto que, num momento em que a empresa está a ponto de ser embargada por conta da desastrosa gestão do seu presidente, este faz uma jogada legal, porém nada ética, passando a empresa para o nome de Betty.  Totalmente, nas mãos de sua agora assistente, Armando teme pelo que possa ocorrer, e incentivado por seu amigo Calderón, inicia um jogo de sedução com Betty.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que muitas pessoas assistem à novela muito mais do que uma vez só.  E um dos motivos, creio, é tentar observar em que momento exatamente Armando se apaixona de verdade por Betty.  Sim, porque isso ocorre, e antes da transformação da “feia” em “cisne”.  Só que Armando demora a se dar conta disso, e este, digamos, “bloqueio” do executivo se dá, exatamente, por conta da aparência de Betty.  E é aqui que iniciam as minhas questões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto de partida é o fato de que o mundo, sim, fecha as portas àqueles considerados “feios”.  Ainda que sua capacidade esteja acima da média, é preciso cavar duramente uma chance para poder se provar.  Segundo o historiador Arthur Marwick, aos considerados “belos”, o mundo oferece mais oportunidades. Isso já foi comentado em outro post.   O amor de Armando esbarra numa aparência que ele mesmo rechaça, fechado em seu mundo de supermodelos.   Mas o que faz de Betty uma mulher “feia”?  Em uma passagem da novela Betty diz: "Da proxima vez que quiser conhecer uma mulher realmente interessante, faça-o com os olhos fechados".  Com este comentário Betty quer dizer que os olhos julgam muito antes dos ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autores que se dedicam a pensar sobre a moda e a beleza, como Marwick, Etcoff e Calanca concordam num ponto.  Moda e beleza muitas vezes geram confusão.  E Betty é um exemplo disso.   Ela tem um cabelo diferente, com uma franja armada, usa um modelo de óculos que esconde seus olhos, possui pêlos no rosto, com sobrancelhas que se emendam por sobre o nariz e um buço que nunca viu uma cera de depilação ou mesmo uma pinça em toda a sua vida. Para completar, usa incômodos aparelhos dentários e roupas nada adequadas ao ambiente de trabalho, especialmente numa empresa de moda. Sua aparência esta fora dos padroes considerados de beleza na sua cultura.   O figurino da novela deixa duvidas.  Mas me interesso mais especificamente pelo figurino de Betty.  As ombreiras grandes, típicas dos modelitos executivos das décadas de 1980 e 1990 estão lá, e se fazem fortemente presentes na imagem de Betty porque são exageradas.  Roupas largas, compridas, com estampas que pouco lhe favorecem são acompanhadas de meias brancas ou escuras e sapatilhas.   Betty, ao fim, não é feia, é inadequada.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Etcoff sinaliza para traços no rosto que são universais para evidenciar o que percebemos como beleza – o rosto redondo, o nariz pequeno, olhos grandes, simetria e proporção.  Betty tem tudo isso.  Suas amigas do chamado “quartel das feias” sofrem do mesmo mal.   Cada uma delas possui um tipo físico marcante.  Uma é muito alta, outra, muito baixa, uma terceira é negra, há uma gordinha, uma idosa e uma última, belíssima, que apenas peca pelo excesso de sensualidade ao escolher suas roupas gerando a percepção de vulgaridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dado momento, durante o seu jogo de sedução, Armando se irrita com os vizinhos de Betty que a provocam chamando-a de feia, e parte para briga.  Betty então percebe que seu chefe, um amor antes platônico, de fato se interessa por ela.  E por isso, decide sozinha “cambiar el look”.  Foi um desastre total.  Sem querer amargar-lhe a vida, suas amigas do “quartel” não comentam nada sobre a sua mudança, mas perguntam como ela escolheu o tal novo “look”.  Suas explicações mostram a insegurança de uma mulher, que, encerrada em um lar conservador e mergulhada nos estudos,  não teve acesso à pedagogia da moda.  O que estava na moda, para ela, não lhe assentava.  Por isso, pouco mudou o cabelo, mantendo a franja e criando cachos ao redor do rosto.  Visitou uma loja considerada moderna pelas amigas, mas ao fim, optou por comprar roupas na loja em que sua mãe comprava.  Ali ela estava em sua zona de segurança.  Mudar e ousar poderia ser perigoso.  Finalmente, seu desafeto Daniel Valencia não teve dúvidas ao humilhá-la discorrendo sobre sua aparência e frisando a importância de uma boa apresentação numa empresa que vende moda.  Betty se dá conta do equívoco e Dom Daniel, sim, tinha lá suas razões.  Betty não era mais secretaria (e mesmo que ainda fosse), era uma executiva de uma empresa que vende moda.  E a moda é um elemento chave para transformar as aparências, para contribuir para uma imagem que desperte a boa impressão dos outros. Betty entendeu o recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda de uma amiga com alguma expertise sobre as aparências, e, justamente durante um concurso de Miss Colômbia na cidade de Cartagena, Betty se transforma.  Ela havia saído da Ecomoda e agora trabalhava com alguém que a respeitava e admirava por sua inteligência e integridade.  Mas o mais inteligente da novela é que sua transformação não precisou de muitos recursos.   Renunciou à sua franja, tirou os pelos do rosto e, principalmente, mudou o figurino, para algo mais leve, cores em tom pastel, modelos mais bem talhados para o seu corpo.  Agora sim, Betty estava “adequada”. Embora ainda conservasse a pesada armação dos óculos e o aparelho dentário, já despertava emoção pelas ruas.  Foi “coqueteada” por desconhecidos pela primeira vez em sua vida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TFxaVxc1JSI/AAAAAAAAAMU/VKb-mf1363E/s1600/betty3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 220px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TFxaVxc1JSI/AAAAAAAAAMU/VKb-mf1363E/s320/betty3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5502372174837916962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;À direita a atriz Ana Maria Orozco, e à esquerda sua caracterizaçao como Betty.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu retorno à Ecomoda foi triunfal.  Por percursos que só os bons autores de novela fazem e nos convencem, Betty tornou-se presidente da Ecomoda e tinha pela frente a árdua missão de recuperar o ponto de equilíbrio da empresa.  Sua estratégia de vendas fora elaborada com base na sua própria experiência de vida.  Agora, considerada uma mulher atraente, bonita, e até sexy, Betty decidiu mudar a imagem das amigas do “quartel das feias”, criando modelos mais adequados, escolhendo cores que favorecessem a percepção de uma boa imagem para as moças.  Por fim, decidiu colocar em suas lojas vendedores especialmente treinados para oferecer às suas clientes “feias” aquilo que lhes caisse melhor no corpo, criando uma imagem harmoniosa.  Este tipo de profissional lhe fizera falta quando decidira “cambiar el look” solita.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus argumentos com o vaidoso estilista da Ecomoda foram contundentes.  É muito fácil vestir uma mulher que já é considerada linda.  Ou seja, em mulheres como Gisele Bünchen, por exemplo, qualquer trapo cai bem.  Ela não precisa da roupa adequada e da moda como aliados.  O maior desafio de um estilista é criar modelos que favoreçam as não “Giseles”, ou seja, desafortunadamente, a maioria da população.  Para uma empresa que precisava gerar volume de vendas, não poderia haver melhor estratégia.   Saludos a todos!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-2883669834722501163?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/2883669834722501163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/08/betty-inadequada.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/2883669834722501163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/2883669834722501163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/08/betty-inadequada.html' title='Betty, a inadequada!'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TFxbkxCRipI/AAAAAAAAAMc/nyS0JwOIDjQ/s72-c/Betty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-5103278659718219539</id><published>2010-07-13T05:50:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T06:49:04.809-07:00</updated><title type='text'>Guarda-roupa Zero (materia da L'Officiel Junho/2010)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxszGKVKeI/AAAAAAAAAL8/UMqP0YyOwtw/s1600/Digitalizar0003.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 276px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxszGKVKeI/AAAAAAAAAL8/UMqP0YyOwtw/s400/Digitalizar0003.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493385270568233442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Imagem da materia publicada na Revista L'Officiel (junho/2010)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post teve a colaboração da amiga jornalista Flávia Mendonça, que escreve para a Revista L’Officel (entre outras publicações). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Flávia me abordou para conversarmos sobre o tema que iniciei no meu último post.  Pensando no consumo consciente do vestuário, a jornalista me apresentou duas propostas.  Uma delas, o blog The Great American Apparel Diet que propõe a compra zero de novas roupas durante um ano.  O blog é usado como “confessionário” pelas seguidoras do movimento para que troquem informações sobre a experiência.  A matéria publicada pela L’Officiel diz o seguinte: “segundo uma das fundadoras do diário, a americana Sally Bjornsen, o objetivo da dieta é que as participantes tentem refletir e entender o que acontece quando ficam tanto tempo sem nada novo no guarda-roupa. ‘Muitas delas antes de participar do projeto, gastaram grande parte do seu tempo planejando e preparando gavetas.  E boa parcela dessas preocupações são motivadas, normalmente, pelo que elas querem e não pelo que realmente precisam’”. &lt;br /&gt;A segunda proposta é passar 365 dias com o mesmo modelo de vestido.  Esta idéia foi lançada em Londres, em maio de 2009 por Sheena Matheiken e Eliza Starbuck, e se chama The Uniform Project. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxp-cHGZzI/AAAAAAAAALs/VpNyDTwH21w/s1600/Digitalizar0002.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 244px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxp-cHGZzI/AAAAAAAAALs/VpNyDTwH21w/s320/Digitalizar0002.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493382166903940914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria de Flávia foi publicada na edição de junho de 2010 na Revista L’Officiel, e, evidentemente, editada.  Aqui, reproduzo na integra, a entrevista que fizemos para dar suporte à sua matéria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flavia:&lt;/strong&gt; Por que você resolveu estudar o consumo de mulheres de classe média da zona Sul do Rio de Janeiro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Flávia, esta é uma longa história.  Trabalhar com a linha de pesquisa “consumo” dentro da Antropologia me pareceu um caminho natural, já que venho da área de marketing e já trazia comigo uma larga experiência em empresas.  Dentro da academia, no entanto, tudo começou com o luxo.  O projeto inicial para a minha dissertação de mestrado seria investigar a idéia de luxo entre a classe média carioca.  Naquela época (entre 2004 e 2005) havia estudos recentes sobre a expansão do luxo para os segmentos médios da população na França e nos Estados Unidos.  Por aqui começaram a surgir publicações periódicas específicas sobre luxo, onde se percebia certa “pedagogia” sobre os usos dos produtos, como que para novos entrantes neste mercado.  De lá prá cá muitas matérias foram publicadas sobre o comércio de bens considerados de luxo na cidade de São Paulo, principalmente por conta a inauguração da nova Daslu, em 2005.  A curiosidade sobre o tema luxo entre os cariocas da classe média me levou a uma pesquisa inicial – realizei entrevistas em profundidade com cerca de 30 pessoas.  Cheguei a conclusão que o luxo entre os cariocas possuía inúmeras representações, mas muitas delas, negativas.  O uso ostensivo de marcas e grifes consideradas de luxo, por exemplo, não eram bem visto pelo grupo.  O luxo, que eu chamaria de “positivo” para este grupo de pessoas, tinha relação com os bairros em que viviam – todos da Zona Sul do Rio de Janeiro -, e com o estilo de vida (sair do trabalho e ir à praia no verão, poder viajar para um país estrangeiro nas férias, comer bem, entre outras coisas).  Assim, ficou uma pergunta: se essa classe média não se interessa por ostentar marcas e grifes como representações do luxo tal qual a mídia repercute, o que lhes interessa em termos de vestuário?  Dada a estreita relação das mulheres com o vestuário achei que seria mais proveitoso dali em diante focar a minha pesquisa neste gênero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia: &lt;/strong&gt;Pode falar um pouco sobre como tem sido essa experiência?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Já que eu deveria falar sobre o consumo de vestuário entre as mulheres da classe média carioca, decidi visitá-las e conhecer de perto seus armários e como se relacionavam com as roupas.  Assim, pude esboçar algumas classificações sobre critérios de escolha e formas de uso.  Além disso, comecei a empreender caminhadas pelas ruas e visitas a algumas lojas de bairros da Zona Sul localizados próximos à orla – Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon – fazendo preciosas anotações sobre o papel da roupa no esquema de sociabilidade dos bairros escolhidos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxrrYyGr9I/AAAAAAAAAL0/2Z6HhOIfyvw/s1600/Lelena24.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxrrYyGr9I/AAAAAAAAAL0/2Z6HhOIfyvw/s320/Lelena24.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493384038616313810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Armario de uma entrevistada de 62 anos, moradora de Copacabana.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia:&lt;/strong&gt; O que já deu para notar dessa pesquisa? Como agem e pensam essas mulheres?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Flavia, não há uma resposta única para esta pergunta.  De início é preciso que tenhamos em mente que o consumo de roupas tem uma estreita relação com o que se quer comunicar sobre si.  Mas o indivíduo não atua sozinho nas suas escolhas, então essas decisões se darão em torno das interações cotidianas que as pessoas fazem.  Somados a isso aparecem o gosto pessoal, as formas de  acesso, as disposições pessoais.   Por exemplo, quando perguntadas sobre o que escolhem quando precisam ir a uma cidade como São Paulo.  As respostas variam de acordo com o que cada mulher espera das interações que teriam na capital paulista.  Para uma reunião de negócios, onde se espera ser bem sucedida, há um cuidado todo especial na escolha, e a expectativa de que o ambiente a ser visitado pede maior formalidade do que ela está acostumada por aqui.  Inconscientemente essa mulher sabe que a roupa “errada” pode representar um risco para a sua reputação profissional.  Já a estudante que precisou passar uma temporada na USP fez questão de dizer que queria ir com as suas roupas bem informais, ou aquelas “hippies de boutique” como ela mesma classificou, para reafirmar a diferença identitária como uma carioca entre paulistanos, e assim comunicar e reafirmar a sua origem.  Outra, que iria ao chá de panela da amiga em São Paulo se sentiu impelida a escolher uma roupa mais formal, coisa que não faria num chá de panela aqui no Rio.  Ao chegar lá, percebeu que a sua escolha havia sido equivocada.  Sentiu-se deslocada com aquelas mulheres paulistanas vestidas bem à vontade ao seu lado.  Por isso te digo que o tempo todo estamos considerando as nossas interações diárias e controlando as nossas impressões.  Usamos para isso a nossa percepção sobre o que os outros esperam ou deveriam esperar de nós, e nem sempre queremos agradar.  E nem sempre acertamos.   Valemo-nos do consumo para isso.  Querer acertar, na minha opinião, é o que especialmente rege a escolha do vestuário entre essas mulheres da classe média.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia:&lt;/strong&gt; No ano passado surgiu o Uniform Project - blog em que uma indiana usa o mesmo vestido o ano todo com diferentes acessórios para arrecadar fundos para uma instituição de ensino em seu país. Você acha que a mulher brasileira é capaz de repetir o mesmo modelito diversas vezes, mudando apenas os acessórios, pois ela adquiriu uma consciência e consumo cujos valores estão usar/comprar uma quantidade menor de roupas? &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Depende.  Creio que no Rio de Janeiro, por exemplo, usar um vestido básico com diferentes acessórios durante um ano, não seja assim tão complicado. Não o mesmo vestido.  Já em São Paulo, as interações são diferentes, e isso afeta o modo como as pessoas se vestem, mais elaborado do que em geral se vê no Rio.  Talvez lá fosse mais difícil.  Mas se eu descobrisse uma mulher brasileira agindo como a indiana, não pensaria de imediato em consciência de consumo.  Este é um movimento ainda muito pequeno entre as mulheres brasileiras, e, principalmente, confuso.  Por exemplo, entre as minhas alunas da pos-graduação (moças com alto nível de escolaridade) já ouvi sobre o rodízio de roupas – um grupo de amigas que têm o corpo parecido compra uma dada quantidade de peças, e realizam trocas entre elas.   Mas não vejo esta atitude como parte de um projeto de consumo com consciência, e sim, por motivos econômicos, ou seja, para aumentar suas opções gastando menos.   Muitas brasileiras ainda estão na fase das experimentações (da moda, do luxo, das marcas) e o consumo consciente (que não deixa de ser também um critério de escolha), ainda é uma prática restrita a um pequeno grupo de mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia:&lt;/strong&gt; Outro sinal interessante é o Great American Apparell Diet - um blog no qual pessoas se comprometem a não comprar roupas por 1 ano e lá relatam as dores e as delícias dessa decisão. Você acha que as brasileiras são capazes de parar de comprar roupas e acessórios de moda por um ano em prol de uma causa?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Comprar roupas, para as mulheres, envolve muitos aspectos, como o lado lúdico de experimentar novidades nas cabines, o prazer de olhar as vitrines e se imaginar com determinada peça, o auto-presente que pressupõe uma compensação por alguma obrigação realizada com sucesso, ou mesmo a busca por uma imagem adequada a determinada situação.  Pensar em ficar um ano sem comprar roupas, seria abrir mão desses momentos de prazer, e correr o risco de se ver inadequada numa dada ocasião.  Por exemplo, uma moça com quem conversei havia se casado recentemente com um homem bem mais velho.  Sentiu-se por isso impelida a comprar roupas que fossem mais adequadas para freqüentar eventos sociais na companhia do seu marido, já que em seu armário predominavam minissaias jeans, calças justas e de cintura baixa, blusas baby looks, batas, enfim, roupas que se adequavam ao estilo de vida que tinha antes de se casar.  Ou seja, um novo fato em sua vida desencadeou nela a preocupação com novos critérios de escolha para suas roupas.  E sua inquietação se transformou em experimentações.  Imagina se ela estivesse comprometida com um projeto como esse durante este período da sua vida?&lt;br /&gt;Por outro lado, deixar de comprar roupas durante um ano levaria essas mulheres a usar a sua criatividade para inventar diferentes composições com aquilo o que possuem dentro do armário.   Acho que, dependendo da causa, algumas brasileiras seriam sim capazes de enfrentar o desafio.  O fato de haver o blog pode criar nelas a sensação de que não estão sozinhas, e isso é muito importante para levar adiante o projeto.  Mas não me surpreenderia se, passado um ano, muitas delas se “presenteassem” por terem vencido o desafio, renovando o armário de uma só vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia: &lt;/strong&gt;Você acredita que existe uma preocupação ética ou social no consumo dessas mulheres que está pesquisando. Quais seriam esses valores?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Flavia, noto que o discurso sobre consumo sustentável está cada vez mais forte entre as mulheres da classe média.  Mas percebo também muitas dúvidas sobre como pôr em pratica esses valores.  Em geral elas falam sobre o “descarte consciente”, mas raramente sobre “consumo consciente”.  Explico.  Parece que todas sabem que precisamos separar o lixo, devemos pensar em reciclagem, não desperdiçar água no dia-a-dia.  Mas poucas se dão conta de que os bens são produzidos de alguma maneira, e uma vez produzidos, estão no ambiente.  Há uns meses um antropólogo inglês me pediu informações locais sobre o consumo de “jeans ético”.   Comecei por pesquisar a produção de tecidos considerados “éticos” para entender melhor o conceito.  Deparei-me com inúmeras dúvidas por parte dos técnicos que consultei: os tecidos “éticos” são os  que pressupõem economia de água na produção, ou será que são aqueles que usam material reciclado, mas que precisam de água em abundância em seu processo produtivo?  O tecido classificado como biodegradável, ou seja, considerado bom para o descarte, pode precisar lançar mão de tratamentos químicos, o que implicaria a circulação de resíduos químicos no ambiente.  O que é mais vantajoso do ponto de vista ecológico?  Por fim, será que o jeans considerado “ético” deveria ser aquele feito para durar muito e evitar a compra freqüente, ou aquele mais barato produzido por uma comunidade de costureiras do interior demonstrando preocupação social?  Entre as consumidoras a confusão é ainda maior.  Na verdade, o que eu posso afirmar é que, embora haja uma preocupação em manter o discurso do “consumo sustentável”, na prática, o que observo é que, para as mulheres que pesquiso, esse critério de escolha ainda não chegou à categoria vestuário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxtPYvBLPI/AAAAAAAAAME/zteChbA7IMk/s1600/Carla_Diesel_favorita.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 138px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxtPYvBLPI/AAAAAAAAAME/zteChbA7IMk/s320/Carla_Diesel_favorita.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493385756590288114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jeans - muito presente nos armarios, mas a preocupaçao e maior com o estilo do que com a sustentabilidade.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia:&lt;/strong&gt; Você conseguiria viver 365 dias usando apenas um modelo de vestido? Se sim, como faria?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Um mesmo modelo, ou um mesmo vestido?  Um mesmo modelo creio que seria possível. Cores neutras e diferentes acessórios poderiam aliviar o meu cansaço visual.  Mas admito que não é fácil.  Uma vez viajei pela Europa por três meses, visitando diversos países com uma pequena mala.  Trazia poucas roupas (e quase nenhum acessório) para facilitar o meu deslocamento.  Ao chegar em casa, me desfiz de todas elas, pois não as agüentava mais.  Imagine um modelo só! Portanto, talvez, ao final de uma experiência como essa me sentisse um pouco estressada com a energia empregada para adaptar o modelo a diferentes ocasiões, temperaturas, interações.   Por outro lado, o processo cotidiano de escolha se torna mais simples.  O mesmo vestido, jamais.  O Rio de Janeiro, onde vivo, é demasiadamente quente em determinadas épocas do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávia:&lt;/strong&gt; E ficar um ano sem comprar roupas? Quais são as suas motivações no ato de comprar uma peça de roupa?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange: &lt;/strong&gt;Pessoalmente sou muito apegada às minhas roupas.  Demoro muito a me desfazer delas.  De vez em quando “ressuscito” uma ou outra peça que estava esquecida no armário.  Mas por tudo o que já expus pra você, como mulher, devo reconhecer que o ato de comprar também me proporciona prazer em alguma medida.  Quase sempre me sinto motivada a comprar roupas em alguma ocasião especial.  Por exemplo, quando viajo, gosto de levar roupas novas.  Quando volto de viagem, gosto de trazer roupas novas.  Quando inicio um trabalho novo gosto de comprar peças novas.  Mas creio que conseguiria sim passar um ano sem comprar roupas.   Tenho um bom acervo em casa, será preciso apenas uma dose extra de criatividade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-5103278659718219539?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/5103278659718219539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/07/guarda-roupa-zero-materia-da-lofficiel.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/5103278659718219539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/5103278659718219539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/07/guarda-roupa-zero-materia-da-lofficiel.html' title='Guarda-roupa Zero (materia da L&apos;Officiel Junho/2010)'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TDxszGKVKeI/AAAAAAAAAL8/UMqP0YyOwtw/s72-c/Digitalizar0003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-2886777714091966286</id><published>2010-07-01T07:28:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T07:32:16.445-07:00</updated><title type='text'>Roupas com consciencia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TCymo85Lc-I/AAAAAAAAALc/Y2SVcLkklg0/s1600/IMG_2772.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TCymo85Lc-I/AAAAAAAAALc/Y2SVcLkklg0/s400/IMG_2772.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488945268328723426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corantes naturais usados na produçao artesanal da comunidade de Chincheros - Peru.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do ano entrei em contato com o Professor Daniel Miller da University College London para saber sobre a pesquisa que vem empreendendo sobre consumo do jeans em diversos países.   Em sua resposta ele mencionou a categoria “jeans ético”.    Numa rápida pesquisa de escritório, verifiquei que algumas marcas já mostram preocupação em elaborar um produto considerado ético, entre elas, a popular Levi’s , e o sofisticado nome de Carlos Miele.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;“Consumo ético”, “consumo consciente”, “consumo sustentável” são expressões que são  cada vez mais pronunciadas por  consumidores que se esforçam por mostrar o quanto se preocupam com o planeta.     O antropólogo argentino Nestor Canclini, em seu livro “Consumidores e Cidadãos” (publicado no Brasil pela Editora UFRJ) faz algumas observações importantes acerca do tema.  É importante a noção de que o consumo também nos possibilita a atuação como cidadãos, ou seja, ao consumirmos determinados itens, de determinadas maneiras sinalizados nossas opiniões, marcamos posições políticas e mostramos o nosso engajamento em causas sociais.   Também é importante a noção de que a globalização dos mercados cria uma relação em que o que consumimos aqui e agora, afeta outras pessoas em outras localidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia, num esforço até pedagógico, vem se encarregando de informar as pessoas sobre a importância do descarte consciente, da reciclagem, da economia de recursos não renováveis, da preservação da água, da preservação do meio ambiente, da economia solidária, do consumo de alimentos saudáveis.  Mas, e o vestuário?  Como o consumo das roupas vem sendo pensado pelos usuários em seu papel de “consumidores  conscientes”?   Quando o Professor Miller mostrou seu interesse pelo tema dos “jeans éticos”, recorri aos técnicos do Cetiqt para entender o que tem sido feito na indústria têxtil brasileira para incluir o vestuário na agenda da sustentabilidade.  As respostas que obtive, mais me confundiram do que esclareceram.  O que passa é que há uma confusão muito grande sobre os critérios para tornar uma peça considerada ética ou sustentável.  Assim, o técnico com quem conversei colocou algumas questões interessantes.  Ético sob que ponto de vista?  Isso porque operacionalmente eles mesmos se deparam com dilemas.  Pode-se pensar em tecidos éticos do ponto de vista do plantio de matérias-primas para a produção, do processo de produção sem efluentes químicos, do descarte, da conservação, dos corantes.  O processo de produção que privilegia uma vantagem ecológica pode incorrer em uma desvantagem.  Ou seja, o uso de determinadas matérias-primas consideradas biodegradáveis pode demandar o gasto maior de água na produção.   Há, então, que se fazer opções.  O que podemos chamar de tecido ético?  Aquele que dura mais e por isso não exige a reposição constante?  Bem, estamos falando de moda, e a moda pressupõe a reposição constante no guarda-roupas.  Ou será que o tecido ético é o que é feito com matéria prima biodegradável e que pode ser descartada como um saco de papel sem qualquer peso na consciência?  &lt;br /&gt;Consumir é efetuar escolhas, e o modo consciente de consumir vem provocando muitas dúvidas.  A Revista Época em sua edição de outubro de 2007 publicou uma matéria intitulada “como é difícil ser verde”, onde discorre sobre a dificuldade dos europeus em conciliar o que consideram “politicamente correto”, com seus hábitos de consumo no cotidiano, seu estilo de vida, e seus gastos diários.  De fato, não é nada fácil.  A matéria faz alusão, por exemplo, a alguns conflitos morais, e ilustra com um caso.  Alguns supermercados começaram a etiquetar alimentos que foram transportados por avião, e portanto, deram a seus clientes a oportunidade de escolher o alimento que prejudicou menos o meio ambiente.  Mas, neste caso, produtores africanos seriam prejudicados, o que, indiretamente, contribuiria para o aumento da pobreza naquele continente. Por conta de dilemas como este, segundo a matéria, para manter sua imagem de consumidor ético e continuar com o mesmo estilo de vida e sem conflitos de consciência, muitos europeus mentem.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Outra matéria publicada na Revista Veja de outubro de 2007, traz na imagem de capa o modelo da consumidora consciente.  Ela usa calça de algodão orgânico feita a mão, sandálias com sola de pneu reciclado, camiseta de fibra reciclada, bolsa de fibra natural, tem um só filho que usa fralda de pano e consome alimentos orgânicos.    Conversei com uma amiga italiana especificamente sobre o caso das fraldas.  Ela me contou que viajou com o filho para a Itália quando o menino tinha apenas um mês.  Isso só foi possível, segundo ela, por causa do “grande invento da fralda descartável”.  Ou seja, a mudança definitiva para a fralda de pano traria às mães alguns inconvenientes aos quais elas não estão mais acostumadas.  Ou seja, mudar a forma de consumo pode implicar mudanças mais profundas no comportamento e estilo de vida.   E isso não é nada fácil.  O consumo de roupas não é o resultado de um só critério, de uma só forma de consumir.  Existem muitas implicações que pesam na nossa escolha final.   O consumo ético, sustentável, consciente do vestuário é só uma das formas, e, por aqui, ainda encontra pequena adesão. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No próximo post mencionarei duas possíveis formas de consumo consciente no que se refere ao vestuário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-2886777714091966286?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/2886777714091966286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/07/roupas-com-consciencia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/2886777714091966286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/2886777714091966286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/07/roupas-com-consciencia.html' title='Roupas com consciencia'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/TCymo85Lc-I/AAAAAAAAALc/Y2SVcLkklg0/s72-c/IMG_2772.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-5187407667082305170</id><published>2010-05-25T15:46:00.000-07:00</published><updated>2010-05-25T16:15:41.811-07:00</updated><title type='text'>O Panama do Equador</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xXf7XMtpI/AAAAAAAAALU/bfraXWJdHsY/s1600/Mulherfazendochapeu.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xXf7XMtpI/AAAAAAAAALU/bfraXWJdHsY/s400/Mulherfazendochapeu.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475347452998235794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Mulher artesã em Cuenca, Equador, tecendo uma peça.  Foto: Dyan Galleani / Francisco Alegre.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post foi escrito com a colaboração da amiga chilena Dyan Galleani, que esteve comigo no Equador em 2009. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas minhas últimas idas ao campo – pelas ruas da zona sul carioca, percebi que os Chapéus Panamá entraram na ordem do dia.  Não importa a idade ou a roupa que se está usando – o acessório parece combinar com tudo e com todos.   Ainda não vi chapéus nas lojas da cidade, mas os camelôs, sempre muito ligados no que acontece na cidade, já expõem seus “Panamás” pelas calçadas do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Chapéu Panamá, para nós, cariocas, se incorporou ao imaginário da cidade ao compor a figura do “malandro”.  Terno de linho branco e o chapéu formavam a imagem típica desse personagem do início do século XX.  A obra de Chico Buarque – A Ópera do Malandro – encenada tanto no teatro quanto no cinema, não deixa dúvida no figurino.  Lá está o chapéu na cabeça do Max Overseas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que o “Chapéu Panamá” é um acessório de origem equatoriana.  Ele vem das culturas que habitam as cidades de Cuenca e Montecristi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xW8rujzpI/AAAAAAAAALM/J-qSdLEiFK0/s1600/MaquinaChapeu.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xW8rujzpI/AAAAAAAAALM/J-qSdLEiFK0/s320/MaquinaChapeu.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475346847505829522" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Maquina da fábrica de sombreros de Cuenca.  Foto: Dyan Galleani / Francisco Alegre&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuenca é uma cidade histórica, a terceira maior do país, atrás de Guayaquill e Quito.  Fica a mais ou menos meia hora de vôo da capital, Quito.  Patrimônio da Humanidade, Cuenca começou a ser erguida ainda antes da chegada dos espanhóis, por povos locais, e mais tarde tomada pelos Incas.  Os espanhóis a batizaram de “Santa Ana de los quatro rios de Cuenca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Chapéu Panamá, originalmente se chama “sombrero de palla torquilla”, pois é feito com uma palha extraída de uma palmeira nativa.  Eram os índios equatorianos que o utilizavam para se proteger do sol e do calor.  O chapéu faz parte da tradição artesanal local, é feito à mão e suas tramas podem ser tão finas que são capazes de tornar o chapéu totalmente à prova d’água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xWgoOzXgI/AAAAAAAAALE/2ZrvrDfGzzI/s1600/PalmaChapeu.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xWgoOzXgI/AAAAAAAAALE/2ZrvrDfGzzI/s320/PalmaChapeu.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475346365530988034" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Em exposição na fábrica de chapéus, imagem de homem cortando a fibra usada para a confecção dos sombreros.  Foto: Dyan Galleani&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chapéu faz parte da indumentária das mulheres  Cholas, que vivem nesta região do país.  Chola é a denominação para mulheres mestiças tanto no Peru quanto no Equador.  A chola cuencana é uma mulher mestiça camponesa, e que se veste de forma peculiar.  Elas usam blusas de algodão bordadas, saias de lã em tons fortes e  uma manta de tecido fino, com desenhos denominados Ikat – ou feitos com o contraste entre as partes tingidas e não tingidas do tecido.  Na cabeça, tranças e chapéu de palla torquilla, ou jipijapa, ou o nosso conhecido Chapéu Panamá.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xVzVHP-uI/AAAAAAAAAK8/KFwB-mYSphU/s1600/mulheresecuatorianas.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xVzVHP-uI/AAAAAAAAAK8/KFwB-mYSphU/s400/mulheresecuatorianas.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475345587304921826" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Mulheres Cholas no mercado em Cuenca.  Sua indumentária típica inclui o Chapéu Panamá.  Foto: Dyan Galleani / Francisco Alegre.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome Panamá se deve ao fato de os trabalhadores do famoso Canal do Panamá  terem utilizado o chapéu de palla trujilla durante o trabalho.  O Equador exportou milhares deles durante as obras.  O Canal do Panamá começou a ser construído em 1880.&lt;br /&gt;O Panamá, nesta época era território colombiano.  A companhia que iniciara o projeto faliu quatro anos depois do início das obras.  Em 1903 o presidente norte americano Roosevelt negociou a intervenção do seu país para dar  sequencia à obra, num episódio bastante polêmico que resultou na independência do Panamá onde já havia um movimento separatista anterior às obras do canal.  Em troca, o controle do canal esteve nas mãos americanas até 1999.   Na ocasião em que os Estados Unidos assumiram a obra, o Presidente Roosevelt foi fotografado usando o chapéu, numa imagem planejada que demonstrava a parceira e solidariedade com os trabalhadores locais.  Isso ajudou a popularizar o acessório.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xVS3t4nxI/AAAAAAAAAK0/eebvXnU9rEw/s1600/ChapeuVitrine.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xVS3t4nxI/AAAAAAAAAK0/eebvXnU9rEw/s320/ChapeuVitrine.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475345029658091282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Loja da fábrica de chapéus em Cuenca.  Foto: Dyan Galleani / Francisco Alegre&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprar um chapéu original em Cuenca, no entanto, não é para muitos.  O preço pode variar de 200 até 1000 dólares.  &lt;br /&gt;Mas os camelôs cariocas pedem bem menos – pode-se adquirir um por até vinte reais.  Mas, claro, o Chapéu Panamá original, aquele feito com palla trujilla tem tramas e acabamento de alta qualidade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xUdbH4nuI/AAAAAAAAAKs/ufXE-zlzcXM/s1600/IMG_6060.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xUdbH4nuI/AAAAAAAAAKs/ufXE-zlzcXM/s320/IMG_6060.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5475344111449448162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Chapéu com características do Chapéu Panamá encontrado na escola de moda no RJ.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei ao acaso um modelo na escola onde eu trabalho.  A cara até pode ser de um legítimo Panamá do Equador, mas a finalização do objeto é muito diferente daquela observada nos modelos de Cuenca.  A originalidade e a cópia – o modelo que não é o “verdadeiro”, mas compõe uma imagem...  esse é um bom assunto para um outro post.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-5187407667082305170?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/5187407667082305170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/05/o-panama-do-equador.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/5187407667082305170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/5187407667082305170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/05/o-panama-do-equador.html' title='O Panama do Equador'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S_xXf7XMtpI/AAAAAAAAALU/bfraXWJdHsY/s72-c/Mulherfazendochapeu.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-1421282554965338928</id><published>2010-05-14T12:15:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T12:52:05.135-07:00</updated><title type='text'>Casacos nas vitrines de outono no Rio de Janeiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2iI3HU_yI/AAAAAAAAAKM/PtCwNyyyjDU/s1600/IMG_0218.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2iI3HU_yI/AAAAAAAAAKM/PtCwNyyyjDU/s400/IMG_0218.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471207395442360098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Inverno na Suiça.  Isso sim é que é frio.  Haja casacos! Foto: a autora do blog em Gstaad (Suiça),foto de Andreas Stuker.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem reparou primeiro foi a minha amiga Thays.  No Facebook ela sentenciou, usando uma frase parecida com:“não sei pra quem as lojas estão vendendo tanta roupa de frio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os habitantes do Rio de Janeiro vivenciaram um dos verões mais quentes das últimas décadas.  Diziam os especialistas que só o verão de 1984 superou o de 2010 em temperaturas.  Não me lembro do verão de 1984, mas tenho a sensação de que o de 2010 ainda lança seus efeitos outono afora. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O outono do Rio de Janeiro, na minha opinião, é a estação do ano mais bonita.  A luminosidade favorece àqueles que se aventuram a fotografar a cidade, as praias não ficam tão lotadas, e o calor... bem... é claro que nada se compara aos 42 graus do verão carioca, mas neste outono, as temperaturas durante o dia podem ser conferidas nos relógios digitais ao longo da cidade – variam entre os 25 e os 30 graus.  Ou seja, ainda assim, faz calor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas ruas observo o caminhar das mulheres, e como estão vestidas.  Blusas de alça, camisetas, shorts, bermudas, vestidos leves.  O vestuário das ruas cariocas de outono não difere muito daquele do verão, ao menos durante o dia.  À noite podemos apreciar o desfile de blusas com manga comprida,  casacos jeans,  cardigãs ou casaquinhos de tricô.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minhas visitas à casa das mulheres com quem converso sobre a minha tese, algumas vezes encontro em seus armários casacos pesados, mas elas logo justificam: “é para quando eu viajo para o exterior”.   Viagens ao exterior é uma das formas de consumo que caracterizam as mulheres dos segmentos médios do Rio de Janeiro.  Portanto, a presença de casacos de lã, ou parcas forradas, luvas e outros apetrechos de frio é compreensível em seus armarios.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2lnNE9rgI/AAAAAAAAAKk/D5zuUkXO-UM/s1600/Flaviaarmario23.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 235px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2lnNE9rgI/AAAAAAAAAKk/D5zuUkXO-UM/s320/Flaviaarmario23.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471211215268982274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Armario de uma mulher, 40 anos, moradora da Zona Sul do RJ. Reparem no número de casacos! Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao que nos oferecem as lojas de roupas femininas neste outono.  Minha amiga tem razão.  O que vemos parece incompatível com o que se observa nas ruas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2iiSPX_7I/AAAAAAAAAKU/1DNMrNFmFfE/s1600/IMG_6056.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 355px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2iiSPX_7I/AAAAAAAAAKU/1DNMrNFmFfE/s400/IMG_6056.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471207832220598194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vitrine de uma loja em Copacabana. Roupas elegantes. Dentro da loja, os casacos mais pesados. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta semana estive numa loja de Copacabana, onde sempre compro peças de vestuário para mim.  Sua vitrine não diferia muito de outras que encontrei ao longo do caminho.  Havia casacos de toda sorte, alguns deles feitos de lã, forrados.  Não há como negar a beleza e o bom acabamento das peças.  Confesso até que fiquei tentada a comprar um deles.  Quando, após me identificar como pesquisadora e antropóloga, fiz a observação sobre os casacos e a temperatura carioca, a gerente entendeu que eu estava criticando ou fazendo uma observação negativa sobre a loja.  Por isso, fez questão de enfatizar que as vendas estavam indo muito bem, obrigada.  Mas, quando insisti no meu ponto, ela colocou alguns argumentos para defender a venda dos seus produtos: a temperatura caiu nas últimas semanas, houve o dia das mães, houve uma cliente (uma cliente!) que comprou para viajar para Curitiba, e por fim, uma argumentação de cunho mercadológico, seus produtos possuem muito bom preço por benefício (leia-se percepção de qualidade dos tecidos e acabamento).  A foto que ilustra este post, sequer fazem jus à observação da loja.  Foram fotos furtivas, pois a gerente não me permitiu fotografar as peças do lado interno da loja, muito mais pesadas do que o que se vê na foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa refletindo sobre tudo isso, e cada vez que me deparava com alguém usando camisetas de alcinha, ou vestidos leves, lembrava os casacos da loja onde sou cliente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2ilDcTlnI/AAAAAAAAAKc/SmM2W02fqv8/s1600/IMG_6057.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2ilDcTlnI/AAAAAAAAAKc/SmM2W02fqv8/s400/IMG_6057.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5471207879787910770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nao tive autorizaçao para fotografar as roupas dentro das lojas, mas ai vai uma ideia da vitrine.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minhas reflexões, encontrei algumas hipóteses sobre o comportamento das mulheres cariocas em relação aos casacos pesados de lã e outros materiais próprios para temperaturas muito baixas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Comecei com uma das observações da gerente da loja, a compra de casacos para viagens.  Eu mesma já havia feito isso inúmeras vezes, principalmente quando se tratava de viagens internas, pelo Brasil, a localidades mais frias como a Região Sul.   Quando viajo para a Suiça, principalmente no inverno europeu, é inútil buscar por aqui algo que garanta o aquecimento do corpo numa temperatura que pode chegar a 10 graus abaixo de zero.  Melhor comprar por lá, ou pedir emprestado.  Assim, o simples cálculo econômico, ou seja, a idéia de custo e benefício, se usarmos a racionalidade, pode ficar comprometida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando das conversas e entrevistas que faço, pensei no quanto a mulher carioca pode ter, no fundo, o desejo de se vestir de uma maneira mais afeita a climas mais frios.  E facil encontrar que observer que no Rio de Janeiro, "é só chover um pouquinho que todos os cariocas saem às ruas com casacos cheirando à naftalina".  Seria mesmo o desejo inusitado de pôr para fora do armário aquele casaco lindíssimo que compramos por um preço incrível na liquidação de inverno do ano passado? Bem, meu marido suíço, portanto acostumado a baixíssimas temperaturas, reclama do inverno carioca.  A umidade provoca uma sensação térmica que faz a gente sentir mais frio do que acusam os termômetros, que raramente descem abaixo de 18 graus.   Assim, não pode ser só a vontade implícita de mostrar o lindo casaco que trouxemos da Argentina na nossa última viagem.   Mas, casaco da Argentina?  Talvez a mulher carioca busque um frio elegante como oportunidade para fugir do lugar comum.  Por isso, peças com a cara da elegância européia confeccionadas com a textura, a gramatura e o peso adequado ao inverno carioca, possam ser uma boa opção.  Mas, auto lá.  Melhor esperar pelos nossos “dois meses” (ou menos) de  inverno.  Afinal, o outono carioca ainda pede roupas de verão.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quem tem uma opinião diferente?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-1421282554965338928?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/1421282554965338928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/05/vitrines-de-outono-no-rio-de-janeiro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1421282554965338928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1421282554965338928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/05/vitrines-de-outono-no-rio-de-janeiro.html' title='Casacos nas vitrines de outono no Rio de Janeiro'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S-2iI3HU_yI/AAAAAAAAAKM/PtCwNyyyjDU/s72-c/IMG_0218.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-200073227212441697</id><published>2010-04-20T09:03:00.000-07:00</published><updated>2010-04-20T09:27:13.265-07:00</updated><title type='text'>"Rituais de Arrumação" em Ipanema</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83TU1INtfI/AAAAAAAAAJ8/pbUD7psvcIQ/s1600/IMG_6051.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83TU1INtfI/AAAAAAAAAJ8/pbUD7psvcIQ/s400/IMG_6051.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462254277882656242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ipanema - Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa entrevista que fiz com uma mulher, moradora de Ipanema, ouvi a seguinte observação: “aqui (em Ipanema) a gente demora muito para se arrumar para parecer desarrumado”.  Esta fala faz alusão a um código das ruas e o esforço de enquadrar-se nele.  Este discurso mostra o valor do casual, ocasional, ou o que mais se pareça com a indiferença pela moda.  Mas o que fica escondido aqui é exatamente o esforço do “ritual de arrumação”. A idéia é mostrar que há um desprendimento desta prática, que, na verdade, nao acontece.  Grant McCracken (2003) é o antropólogo norte-americano que assinala a importância deste ritual para que novos significados sejam atrelados aos bens.  No nosso caso, à roupa.   Mas será que é assim mesmo como diz a minha informante?  Algumas caminhadas pela famosa Rua Visconde de Pirajá poderão nos mostrar algumas coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83Sq6651nI/AAAAAAAAAJ0/uflLuXtzpI8/s1600/IMG_6029.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83Sq6651nI/AAAAAAAAAJ0/uflLuXtzpI8/s320/IMG_6029.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462253557882934898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Calçadas da Visconde de Piraja - Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparadas com as calçadas da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, em Copacabana, as calçadas de Ipanema, também comportam diversidade, diferentes sotaques, diferentes idades, diferentes níveis sociais, porém são mais largas, com menor número de pessoas circulando e o calçamento mais firme.  Esses são elementos que nos dão a sensação de haver menor tensão pelas ruas de Ipanema.  Uma das primeiras coisas que se nota ao observar as mulheres que circulam por ali é  a sua postura corporal.  Nota-se um andar lento, espaçado, calculado, uma postura menos relaxada, a coluna mais reta.  Uma postura que nos remete ao corpo tratado ou trabalhado, a um aprendizado específico sobre o modo de andar e gesticular.  As roupas parecem de certa simplicidade, o que, em principio, poderíamos classificar como básicas.  O que se classifica como roupa básica no Rio de Janeiro é, em geral, o jeans e a camiseta lisa monocromática.  Ou, igualmente a saia e a blusa sem manga.  Mas ainda que o “básico” sinalize para uma aparência homogeneizada entre os moradores locais, as roupas aqui classificadas, não raro, se distinguem pela etiqueta famosa. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Há, aparentemente, em comparação com Copacabana, menor número de roupas de malha colorida circulando, e sim, uma profusão de acessórios.  Os chapéus de Panamá, ora em voga, podem ser observados pelas ruas do bairro. Poucas são as mulheres que circulam com chinelos de borracha.  Mais comuns são as sandálias rasteiras, e é possível observar mais mulheres usando salto.  Combinações como short jeans com óculos escuros (com marca famosa e modelo da moda) e sapatilhas também são comuns.&lt;br /&gt;Outra fala interessante de uma moradora de Ipanema, com 39 anos:“... visto uma blusinha e uma saínha...”.  O uso do diminutivo no discurso pressupõe pouca preocupação na hora da escolha, ou a simplicidade da peça que irá usar.     Porém, o que se vê nas ruas é um diálogo com as vitrines das lojas de moda e com elementos que aparecem nas revistas – como, por exemplo, os modelos de calça comprida jeans tipo “boy-friend” e “cenoura” (que raríssimas vezes apareceram em Copacabana).   Ipanema hoje não “inventa” moda, mas segue a moda querendo parecer uma forma casual de opção.   Isso se reflete no short e camiseta acompanhados de uma bolsa de marca famosa, ou uma sapatilha de boa qualidade, ou um par de óculos escuros de griffe famosa com modelo da moda.    Essa é uma das estratégias imagéticas compatíveis com os códigos das ruas de Ipanema.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83TtZVokKI/AAAAAAAAAKE/WJUI3pQMeQg/s1600/Bolsa.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83TtZVokKI/AAAAAAAAAKE/WJUI3pQMeQg/s320/Bolsa.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462254699919478946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bolsa Louis Vuitton de uma informante de Ipanema.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as mulheres mais velhas, percebe-se o esmero de sua produção para as ruas.  Neste grupo, é comum o uso de jeans com camisa de botão.  A postura ereta, como já mencionada entre as mulheres de modo geral, chama a atenção entre as mulheres mais velhas.  Percebe-se o cuidado na escolha de acessórios e maquiagem.  Em Copacabana também percebi algumas mulheres acima de 60 anos usando maquiagem, em geral, optando por tons mais avermelhados no batom e no blush. Em Ipanema elas usam uma maquiagem mais clara, tons mais puxados para a cor da pele, a cor da boca.  Mesmo nos dias em que circulei por entre as feiras livres que ocorrem semanalmente na Praça General Osório (terças-feiras) e na Praça Nossa Senhora da Paz (quintas-feiras), percebi que as mulheres mais velhas circulam por ali cuidadosamente vestidas – vi chapéus, lenços, bijuterias e maquiagem leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim em Ipanema observam-se complementos que revitalizam uma ou outra roupa – o penteado, a maquiagem, os acessórios.  Isso sinaliza para a prática do “ritual de arrumação”, ainda que o discurso teime em  valorizar a despreocupação com este esforço.   Ou seja, o discurso da saída casual de casa, se depara com elementos na rua que colocam em cheque esta prática.  Parece que a informante observou bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-200073227212441697?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/200073227212441697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/04/rituais-de-arrumacao-em-ipanema.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/200073227212441697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/200073227212441697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/04/rituais-de-arrumacao-em-ipanema.html' title='&quot;Rituais de Arrumação&quot; em Ipanema'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S83TU1INtfI/AAAAAAAAAJ8/pbUD7psvcIQ/s72-c/IMG_6051.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-639658269974626055</id><published>2010-03-27T09:47:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T11:44:18.751-07:00</updated><title type='text'>Calçadas de Copacabana</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S643uuDHlXI/AAAAAAAAAJM/33fKNyxSv84/s1600/IMG_1948.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S643uuDHlXI/AAAAAAAAAJM/33fKNyxSv84/s400/IMG_1948.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453357474566870386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Av.Atlantica - vaca "Paraíso Tropical", peça da exposição Cow Parade realizada no Rio de Janeiro, uma alusão à novela de Gilberto Braga exibida na TV Globo, e que se passava no bairro de Copacabana.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bairro de Copacabana é talvez o lugar carioca mais conhecido fora do Brasil.  É uma espécie de imagem ícone da cidade, e talvez do país.  A Avenida Nossa Senhora de Copacabana, uma das principais artérias de circulação no bairro carioca,  é uma área de ferrenha disputa pelo espaço público - tanto nas ruas, quanto na área das calçadas.  As calçadas podem ser um ambiente “perigoso”, uma vez que, em muitos casos, as pessoas olham para frente, apressadas, em espaços  estreitos, esbarrando inevitavelmente em quem vem pela frente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se em Copacabana enorme diversidade – idades diferentes, nacionalidades diferentes, origens sociais diferentes.  A avenida em questão é um local de passagem, onde velhos, jovens, empregadas domésticas, patroas, cariocas, estrangeiros, nordestinos, turistas, trabalhadores do comércio, moradores consumidores  e não –moradores consumidores se cruzam, se esbarram sem se ver.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;De acordo com as recomendações do antropologo J.G Magnani da USP, um pesquisador deve ter um caminhar “mais lento do que o usuário e mais regular do que o passeante” (Magnani e Torres,Na metropole: textos de antropologia urbana. São Paulo: Fapesp,1996;37).  Mas em Copacabana, o bairro escolhido, o andar espaçado e atento é sempre prejudicado pelo fluxo frenético de pedestres.  O andar apressado encontra sempre um caminho obstruído por idosos que se movimentam devagar, alunos com seus pais em hora de saída dos colégios, donas de casa a  mirar vitrines.  O andar mais lento se interpõe entre os apressados e seu destino.  Isso tudo num módico espaço de calçada, que ainda, não raro, é dividido com camelôs, moradores de rua, pessoas que panfletam, eventuais obras da prefeitura.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S7JGKkKY3KI/AAAAAAAAAJk/hDnk1Qvkpos/s1600/NSACOPACABA.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 246px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S7JGKkKY3KI/AAAAAAAAAJk/hDnk1Qvkpos/s320/NSACOPACABA.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454499246018976930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite as calçadas da N.Sa. de Copacabana continuam sendo o cenário da diversidade.  Mas agora, além dos tipos já mencionados, juntam-se na disputa pelo espaço os travestis, as garotas de programa sozinhas ou acompanhadas de turistas estrangeiros, turistas que saem em grupo para jantar próximo ao hotel.  Copacabana, é bom lembrar, ainda é o bairro carioca com maior número de hoteis no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O filósofo francês Michel De Certeau define o bairro como uma parcela do espaço urbano onde os usuários daquele espaço se sentem reconhecidos.  Nesse sentido, o vestuário se coloca como um importante sinalizador identitário do pertencimento ao local.    Em Copacabana, apesar de ser um bairro com tanta diversidade, o que se observa em termos de vestuário na área por onde circulei, não parece ser tão variado assim.   Roupas de malha, calças de lycra coladas ao corpo, camisetas, vestidos floridos de tecido leve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa visão panorâmica do estilo de vestir de quem circula pelas ruas de Copacabana, percebe-se pouco esmero na produção imagética, ou uma estratégia de vestir menos elaborada.  Vê-se poucos acessórios, quase nenhuma maquiagem, profusão de chinelos de borracha, pouca preocupação com a moda, enfim, roupas que parecem diferir pouco daquelas para  o uso doméstico.  Afinal, descobri em minha dissertação de mestrado, que a roupa feminina para uso doméstico é sempre aquela que prioriza o conforto físico do corpo e a despreocupaçao com o estilo.   As roupas que observei nas ruas de Copacabana, aparentemente, não custaram muito, e não mereceram uma produção para que parecessem menos desgastadas.  Ao contrário.  Parece haver uma estética do “vestir-se bem à vontade” - uma categoria que pressupõe, antes de tudo, o conforto.  E por conforto, entendemos uma produção imagética despreocupada, sem as “amarras” das roupas formais, dos saltos altos, do penteado e da maquiagem que tomam tempo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta-se muito sotaque estrangeiro pelas ruas, mas eles, os estrangeiros e estrangeiras,  parecem bastante adaptados ao modo carioca de produzir (ou não-produzir) a  sua imagem.  Em conversa com Lynn, uma norte americana de Nova Iorque, pude ter certeza disso.  Ela me disse que o que mais gosta no Rio de Janeiro é a possibilidade de se sentir à vontade com aquilo que veste: “a gente pode sair na rua vestida de qualquer jeito”, disse a americana.   Por “qualquer jeito”, entenda-se, uma produção descomplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S6441n0pmKI/AAAAAAAAAJc/M55adm-9yb0/s1600/IMG_6037.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S6441n0pmKI/AAAAAAAAAJc/M55adm-9yb0/s320/IMG_6037.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453358692666284194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa diversidade interfere no reconhecimento de quem mora, de fato, no bairro, de quem está apenas visitando, de quem está só de passagem, de quem vem apenas para trabalhar.   Isso não ocorre, por exemplo, no bairro do Flamengo, nas suas ruas principais, a Marques de Abrantes e a Senador Vergueiro.  Em ambas se percebe facilmente o andar de quem está perto de casa, a familiaridade com os comerciantes locais, uma forma pacata de interação não focalizada.  Interação não-focalizada, de acordo com o canadense Erving Goffman, é aquela que resulta apenas da co-presença no mesmo espaço público.  O morador do Flamengo é mais facilmente reconhecido.  Em Copacabana, esta interação é difusa, nunca se sabe com quem estamos interagindo, o que esperar do interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trajes de banho são bem tolerados pelas ruas, mas, pode-se observar que na Nossa Sa. de Copacabana, que fica paralela à praia, biquínis são bem tolerados quando com a "proteção" de cangas, ou shorts sem camiseta, ou saídas de praia (essas, trajes específicos para “sair da praia”, quase não se vê).   Na orla, no calçadão ao lado da praia, biquínis de todos os tipos são bem tolerados, mesmo aqueles considerados mais “ousados”.     Principalmente nos finais de semana, e dias mais quentes.   Homens circulam tranquilamente com suas sungas, com e sem camisa pelas ruas do bairro.   Mulheres apenas de biquíni na Nossa Senhora de Copacabana e outras ruas mais distantes do mar são menos toleradas.  Pode-se observar o olhar de reprovação dos transeuntes ao cruzar com uma mulher despojada de "proteção" têxtil da cintura para baixo.   Mas não é difícil, nos dias mais quentes, encontrar quem se aventure a tanto.    O controle social, no entanto, não passará de alguns olhares reprovadores em direção à  “infratora”.  Mas, em geral, percebe-se que são mulheres estrangeiras (turistas), ou que estão apenas de passagem.  Moradores de Copacabana são tolerantes com os visitantes, afinal, eles são muitos e permeiam as ruas do bairro durante o ano inteiro.   Fazem parte do cenário local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copacabana é o bairro carioca com o maior número de idosos.  Esta observação já foi alvo de análise para alguns antropólogos, entre eles, Gilberto Velho e Myriam Lins de Barros.   Num olhar generalizado, as mulheres acima de 60 anos parecem se descolar da moda.  Outros critérios parecem ser adotados na escolha do vestuário.  Percebi que poucas aparecem pelas ruas usando calça comprida jeans.  Usam tecidos flexíveis, bermudas jeans, vestido folgados e fresquinhos para suportar as altas temperaturas do Rio de Janeiro.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilberto Velho, em seu livro A Utopia Urbana, de 1999, publicado por Jorge Zahar Editor, colheu depoimentos de muitos moradores do bairro de Copacabana.  Um dos motivos mencionados pelos entrevistados como sendo importantes para a decisão de optar por viver ali, foi a forma como os controles sociais podem ser menos rígidos no bairro.  Talvez isso se reflita nas roupas que vemos pelas ruas de Copacabana, um bairro de diversidade, com pessoas que andam pelas ruas se sentindo como se estivessem em suas próprias casas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-639658269974626055?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/639658269974626055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/03/calcadas-de-copacabana.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/639658269974626055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/639658269974626055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/03/calcadas-de-copacabana.html' title='Calçadas de Copacabana'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S643uuDHlXI/AAAAAAAAAJM/33fKNyxSv84/s72-c/IMG_1948.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-7945529892375677529</id><published>2010-03-11T13:58:00.000-08:00</published><updated>2010-03-12T06:15:32.658-08:00</updated><title type='text'>Escolher a roupa do marido: mais uma tarefa feminina!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXH-UyqI/AAAAAAAAAIs/jWpPMcJCqDI/s1600-h/300px-Louis_XIV_of_France.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 282px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXH-UyqI/AAAAAAAAAIs/jWpPMcJCqDI/s400/300px-Louis_XIV_of_France.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447501070279690914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Rei Sol: Luiz XIV da França&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisa do instituto SophiaMind que será publicada na Revista Exame edição de março/2010, dedicada às mulheres, aponta: 51% das mulheres entrevistadas controlam, de alguma maneira (comprando ou influenciando) o consumo de vestuário masculino.  Numa mesa de reunião, no escritório do site Bolsa de Mulher, do mesmo grupo que o SophiaMind, o único homem presente estranhou o número.  As mulheres não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falamos em consumo, entendemos que se trata de um processo que começa na escolha, quando buscamos critérios para optar por um ou outro produto; depois vem a aquisição e a fruição.   Neste caso, estamos falando de mulheres que escolhem produtos que serão usados efetivamente pelos homens.   Dá pra se pensar também em quantos homens vão às compras imaginando a opinião de suas esposas, namoradas, amantes, e, por que não, até das mães.  Neste caso, há um peso feminino indireto na opção final dos moçoilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje no ambiente de trabalho é notória a pequena variedade de possibilidades para homens em relação às mulheres.  Recentemente entrevistei Ilana Berenholc.  Ela é consultora de imagem, e trabalha para diversas empresas.  Ela me contou que os homens são muito pouco resistentes à imposição de regras de vestuário colocadas pelas empresas aos funcionários.  Já as mulheres, muitas vezes dificultam o trabalho dela, querendo fazer valer o que elas costumam chamar de “estilo pessoal”.   Na verdade, eles nem ligam muito, até gostam do controle, pois não precisam “pensar muito” antes de se vestir para trabalhar, além de ganharem argumentos para justificar suas escolhas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheço uma empresa carioca de sapatos que começou o seu negócio vendendo apenas modelos masculinos.  Hoje seu carro chefe são os calçados e bolsas para mulheres.  Um dos seus sócios me contou que a loja era predominantemente freqüentada por mulheres que compravam para maridos, namorados, noivos e filhos.  Mas elas apreciavam tanto o trabalho da marca, que começaram a sugerir que houvesse também sapatos femininos no portfólio da empresa.  Melhor para os empresários, que passaram a vender muito mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roupa masculina no mundo ocidental sofreu muitas modificações em seu estilo.  Se começarmos pela Europa, veremos como a nobreza masculina abusava de cores, rufos, bordados, saltos.  Em movimentos irregulares a moda masculina européia mudava ao sabor das cortes mais poderosas, ora havia predominância de um estilo sóbrio como o espanhol, ora mais enfeitado como o dos franceses.  O historiador de moda James Laver, em seu livro “A roupa e a moda” publicado aqui pela Companhia das Letras, lembra que no século XVI a roupa feminina podia ser mais, digamos, modesta do que a masculina.  Luiz XIV, rei da França entre 1661 e 1715 pode ser tomado como exemplo de usuário atuante em suas escolhas para vestir.  O luxo era uma meta, e com ele, os exageros.  Certamente foi influenciado por seu padrasto e tutor, o cardeal italiano Giulio Mazarino, que lhe ensinou sobre o poder da imagem, do luxo, do esplendor.  O glamour que Mazarino conhecia vinha das cortes renascentistas italianas.   Luis XIV se empenhou em tornar a França o pais influenciador do gosto para toda a Europa, e isso incluía os trajes masculinos.  Por isso, no século XVIII, roupas francesas eram sinônimo de roupas elegantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revolução Francesa gerou fortes mudanças no modo francês de se vestir, sendo a mais emblemática delas, a adoção, quase que universal, da simplicidade das roupas inglesas para os homens.  A Inglaterra de então era identificada como a terra da liberdade.  Houve reações na França, é verdade, e aos dândis pode ser creditada uma volta ao luxo na moda masculina.  Mas ainda assim, eles usavam roupas muito mais sóbrias do que os homens que viveram durante o Antigo Regime.  No final do século XVIII ate os franceses se renderam ao famoso corte inglês, uma habilidade dos alfaiates ingleses que começou a ser reconhecida fora do território britânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXfNhZDI/AAAAAAAAAI0/bFZhoPc9DkI/s1600-h/250px-Montesquiou,_Robert_de_-_Boldini.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 357px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXfNhZDI/AAAAAAAAAI0/bFZhoPc9DkI/s400/250px-Montesquiou,_Robert_de_-_Boldini.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447501076517446706" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conhecido dândi francês Conde Robert de Montesquiou – Giovanni Boldini, 1897&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sobriedade nos trajes masculinos perdurou até bem pouco tempo.  No Brasil, Gilberto Freyre lembra como os homens da elite carioca desfilavam seus ternos ingleses de casimira em pleno calor carioca no início do século XX.   Tudo em nome da elegância e da diferenciação. Por muito tempo a sobriedade nos trajes masculinos era a afirmação da identidade masculina.  Cores e estampas eram proibitivas e se tornaram elementos de afirmação negativa da identidade quando usadas por homens.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento hippie nos anos 1960 e o &lt;em&gt;sport wear&lt;/em&gt;, um pouco mais tarde, vieram trazer novos ares à roupa masculina.  Cada vez mais as cores e as estampas estão presentes nos cabides masculinos.  Mas mesmo nos anos 1970, periodo apos o Movimento Hippie, a cor rosa ainda era “proibida” para os homens.  Ana Maria Bahiana bem lembra em seu “Almanaque dos Anos 70” lançado pela Ediouro, que o ator José Wilker, em pleno desbunde dos anos 1970, decidiu sair vestido de cor-de-rosa da cabeça aos pés pelas ruas de Ipanema e gerou polêmica.  Polêmica também foi a aparição de Caetano Veloso e Gilberto Gil de blazer e um sarongue no Premio Shell de 1993.  Pobres homens! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim fica mesmo difícil escolher o que vai em seus cabides – tanto tempo com um guarda-roupas tão pouco colorido e variado...  E agora, como lidar com a diversidade de modelos, cores, texturas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpYNi3-wI/AAAAAAAAAJE/pOsBLxoLi48/s1600-h/IMG_6017.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpYNi3-wI/AAAAAAAAAJE/pOsBLxoLi48/s400/IMG_6017.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447501088955038466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Solange Mezabarba - Armario masculino.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXrAgDDI/AAAAAAAAAI8/moeb7IYduao/s1600-h/armariofeminino.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 384px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXrAgDDI/AAAAAAAAAI8/moeb7IYduao/s400/armariofeminino.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447501079684058162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Solange Mezabarba - Armario feminino&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres sempre mantiveram estreita relação com as roupas, embora, no ambiente capitalista, o tecedor e o alfaiate masculinos sempre tenham tido o seu lugar.  O historiador Peter Stallybrass em seu livro “O casaco de Marx”, publicado pela Autêntica, lembra que no ambiente domestico, eram as mulheres quem estavam sempre mais próximas às roupas: na confecção, limpeza ou conserto. A elas a Revolução Francesa também afetou, gerando roupas femininas mais simples, menos enfeitadas.  Mas as novidades do vestuário feminino não cessaram de aparecer.  A socióloga Diana Crane, em seu livro “A Moda e seu papel social”, publicado pela Editora do Senac, tem a sua tese a respeito.  Para ela, o mundo do trabalho é mais inflexível em relação ao vestuário, e o mundo do trabalho sempre esteve mais fortemente associado com o gênero masculino.  É no lazer e espaço doméstico que o vestuário masculino ganha novos significados.  A mulher, senhora do seu ambiente doméstico, se ocupou com mais criatividade da sua roupa.  Além disso, a roupa, para a mulher, podia assumir muitas representações: posição social, identidade, sedução, e ainda, segundo Crane, um grito silencioso de igualdade.   Sedução, pois era a arma de que dispunha para conquistar um marido.  Por exemplo, no Brasil do século XIX, a mulher que não se casava era desprestigiada.  Assim, a roupa era pensada para valorizar o corpo da mulher, sendo uma forte aliada na arte de encontrar um bom marido.  De outro lado, para Crane, a incorporação de elementos masculinos nos cabides femininos tinha relação com uma busca silenciosa por igualdade – a gravata, a calça comprida.  Se os homens eram o “grupo dominante”, não fazia sentido o movimento inverso – ou seja, que eles incorporassem elementos femininos em suas vestes.  Para as mulheres, as roupas eram amarras, e elas foram se desprendendo delas amiúde.  Chanel contribuiu bastante.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dada a expertise feminina no assunto, e o pragmatismo masculino, melhor mesmo é que eles continuem delegando às mulheres esta dura tarefa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-7945529892375677529?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/7945529892375677529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/03/escolher-roupa-do-marido-mais-uma.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/7945529892375677529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/7945529892375677529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/03/escolher-roupa-do-marido-mais-uma.html' title='Escolher a roupa do marido: mais uma tarefa feminina!'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S5lpXH-UyqI/AAAAAAAAAIs/jWpPMcJCqDI/s72-c/300px-Louis_XIV_of_France.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-1946783811848998486</id><published>2010-02-26T05:01:00.000-08:00</published><updated>2010-02-28T09:25:54.008-08:00</updated><title type='text'>Bordados na Peninsula de Yucatan</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gIaPLYkTI/AAAAAAAAAIc/At1Pt39g8z0/s1600-h/IMG_5759.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gIaPLYkTI/AAAAAAAAAIc/At1Pt39g8z0/s400/IMG_5759.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442609396521144626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Shopping Center na Avenida dos Hoteis em Cancun. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a minha viagem ao Mexico por Cancun.  Até a década de 1960 nada existia por ali, a não ser algumas casas de uma pequena populacão de origem maya, que vivia do cultivo de coco.  O governo mexicano, com vistas ao aumento de divisas, decidiu então criar um complexo hoteleiro numa belíssima região em pleno azul do mar caribenho.  O primeiro hotel se levantou em meados da década de 1970.  Nos anos 1990, pelo menos no Brasil, Cancun se tornou uma mania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fevereiro é o período de inverno, e, pelo que pude notar, ha um grande fluxo de turistas norte-americanos e canadenses.  Um canadense que encontrei em Uxmal, que fica no interior da Península de Yucatan, me disse o que, para mim, parecia obvio: "estamos fugindo do nosso inverno".  A Península de Yucatan é formada por 3 estados: Yucatan, Campeche e Quintana Roo (onde fica o complexo hoteleiro de Cancun). A Península, no Mexico, é a area que foi ocupada um dia pelo povo maya. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que Cancun não é o México.  Não posso concordar.  Apesar do visual que lembra um pouco Orlando, misturada com uma pitada de Miami, Cancun é sim, o México.  Não posso negar que é perceptível o esforço comercial que me parece estar pronto a receber ate mesmo os americanos mais saudosos de casa - shows e parques aquáticos nos moldes de Orlando, Starbucks, Burguer Kings e McDonalds se mesclan com as luzes, cores, movimentos da área central de Cancun, que, à noite, com seu Hard Rock Café, suas boates, parece querer lembrar, ainda que bem de longe, a pulsação da Times Square.   Mas mesmo  o espanhol falado junto com o inglês, ja tao comum em Miami, a comida mexicana já tão popular entre os americanos, não puderam suplantar o maior dos indícios da terra dos mayas: seu artesanato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gIZkSMYDI/AAAAAAAAAIU/09bPyOJXkFc/s1600-h/IMG_5774.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gIZkSMYDI/AAAAAAAAAIU/09bPyOJXkFc/s400/IMG_5774.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442609385006981170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O colorido artesanato dos mayas. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá está, no centro de Cancun, o mercado de pulgas com peças bonitas, bem acabadas e nem tão caras.  São máscaras de madeira, ceramicas coloridas, e, foco de meu maior interesse, os vestidos bordados mexicanos.  São muitos, tem cores fortes, são feitos a mão, fazem com que o nosso olhar se desvie.   São conhecidos como &lt;em&gt;huipil&lt;/em&gt;, um vestido reto, como uma tunica, com seus bordados.  Os espanhóis trouxeram a técnica das mangas, que até a chegada deles ao continente, ainda nao existiam no vestuário nativo. Percebe-se assim, um territorio de amplas trocas culturais.  Primeiro com os espanhois, mais recentemente, com os norte-americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4hRKnvfMZI/AAAAAAAAAIk/j4l4HrbH8ZE/s1600-h/Huipil.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4hRKnvfMZI/AAAAAAAAAIk/j4l4HrbH8ZE/s400/Huipil.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442689392585945490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vestidos expostos por toda a parte na Península de Yucatan. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inúmeros sites no Brasil oferecem os famosos vestidos bordados vindos de Oaxaca e Chiapas, dois estados mais ao sul, onde, aparentemente, se concentra boa parte da produção artesanal de vestuário mexicano.  A pesquisadora Chloe Sayer, que investiga tecidos mexicanos desde 1973 endossa este fato em seu livro "Textiles from Mexico", publicado pelo British Museum em 2002.   Mas, se esses dois estados são hoje os mais representativos na produção de têxteis e bordados, a Peninsula de Yucatan, onde estive, nos mostra como os bordados estão entranhados nas mãos das mulheres mayas.  Sim, mayas.    Eles, os mayas, ainda transitam pelo território mexicano, principalmente na regiao da Peninsula de Yucatan, vivem em seus pueblos, falam suas diversas línguas, inclusive o espanhol.  Geraçoes mais velhas, nao raro, so falam seu idioma nativo.  Muitos mayas trabalham nos hotéis, restaurantes e transportes.  Muitos vivem do artesanato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGdEixRZI/AAAAAAAAAIE/4l7sLaekjMg/s1600-h/Mulher.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGdEixRZI/AAAAAAAAAIE/4l7sLaekjMg/s400/Mulher.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442607246182794642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher maya com seu vestido bordado, vendendo artesanato nas ruinas de Chichen-Itza. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pequenas barracas repletas de vestidos aparecem aos borbotões por todos os lados.  Em algumas cidades, como Mérida e Vallidolid, há lojas estabelecidas que comercializam peças de excelente acabamento.  Mas nas barracas, não raro, podemos ver artesãs mayas em ação. Os tecidos, quase sempre, são o algodão local.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O algodão é nativo da região, inclusive o chamado &lt;em&gt;coyuche&lt;/em&gt;, naturalmente da cor de caramelo.  O preparo artesanal do algodão para a produção têxtil é trabalhoso.  As impurezas são removidas com as mãos, depois as mulheres batem com estacas de madeira para a aderência das fibras, e finalmente iniciam o processo de fiação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vestuário maya causou estranhamento entre os exploradores espanhóis, quando à época das navegações já avistavam a população local com suas túnicas confeccionadas em algodão.    A tradição dos tecidos é antiga, mas os bordados, eram mais comuns nas roupas da nobreza maya.  Com a chegada dos espanhóis, novas técnicas e motivos foram incorporados à tradição dos bordados.  Os bordados são feitos com motivos variados, havendo, no entanto, predomínio das flores.  Aprender a bordar faz parte das atribuiçoes feminas entre o povo maya, e se tornou uma atividade passada de mães para filhas.  Dona Victoria, uma senhora maya com quem conversei numa das barracas, olhou para mim e disse: "não estudamos, não sou mestra, mas aprendemos a bordar".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGc4Q7n6I/AAAAAAAAAH8/3YQ2GJsVW1E/s1600-h/Victoria.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGc4Q7n6I/AAAAAAAAAH8/3YQ2GJsVW1E/s400/Victoria.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442607242886750114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dona Victoria em sua barraca bordando mais um vestido. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso das roupas bordadas, no entanto, tem sido olhado pelas gerações mais jovens como uma prática ultrapassada ou coisa para turistas.  As mulheres mais jovens, embora façam os bordados, não usam os vestidos e batas em seu cotidiano. Os homens, há muito já se desligaram da tradição das vestes mayas.  Muitos deixaram seus pueblos de origem para trabalhar em centros urbanos e, por isso, precisaram aderir a uma nova forma de vestir.  Com as mulheres mais jovens, aparentemente, ocorre a mesma coisa.  As filhas de um taxista maya com quem conversei em Quintana Roo confeccionam vestidos bordados, mas, como trabalham na cidade, usam as roupas tradicionais apenas em seu pueblo.  As filhas de Dona Victoria tambem bordam, mas se vestem de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGcVJEWFI/AAAAAAAAAH0/hzu6g8Ow6vo/s1600-h/Meninas.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGcVJEWFI/AAAAAAAAAH0/hzu6g8Ow6vo/s400/Meninas.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442607233458526290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Filhas da Dona Victoria, bordando, mas usando roupas diferentes da tradiçao maya. Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os preços dos vestidos variam, principalmente, de acordo com a cidade onde são vendidos.  Em Cancun podem chegar a 70 dólares.  Em Chichen-Itzá, vi a 30 e 50 dólares.  Mas na cidade de Mérida podem custar algo próximo a 20 dólares.  No Rio de Janeiro, não faz muito tempo, encantada com um vestido mexicano comprei uma peça de uma dessas moças que vendem pela internet.  Paguei 218 reais.  Algo impensado para a humilde população maya da Peninsula de Yucatan.  Talvez elas não saibam do valor que damos ao seu trabalho.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGcHXWw1I/AAAAAAAAAHs/X56ByJqoj18/s1600-h/Bordadeira.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGcHXWw1I/AAAAAAAAAHs/X56ByJqoj18/s400/Bordadeira.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442607229760357202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bordadeira em Uxmal diante de sua barraca de vestidos.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Peninsula de Yucatan, duas importantes cidades para quem quer comprar ou conhecer a produção artesanal são: Izamal e Kimbila.  Izamal, no caminho entre Chichen-Itzá e Mérida é uma linda cidade toda amarela.  Sim, a cidade inteira está pintada na cor amarela.  Suas construções datam do século XVI e a cidade é conhecida por ser o melhor lugar para se comprar artesanato.  Kimbila é onde está uma pequena comunidade de bordadeiras especializadas na técnica do ponto de cruz. Há pequenas lojas onde elas vendem suas peças.  Lindos vestidos estão expostos nas vitrines.  O México e um pais para voltar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGbsYoR2I/AAAAAAAAAHk/qvaCG0yLVk8/s1600-h/VestidosUxmal.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gGbsYoR2I/AAAAAAAAAHk/qvaCG0yLVk8/s400/VestidosUxmal.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442607222517942114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vestidos expostos para venda em Chichen-Itza.  Foto: Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-1946783811848998486?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/1946783811848998486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/02/bordados-em-yucatan.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1946783811848998486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1946783811848998486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/02/bordados-em-yucatan.html' title='Bordados na Peninsula de Yucatan'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4gIaPLYkTI/AAAAAAAAAIc/At1Pt39g8z0/s72-c/IMG_5759.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-387809368668218135</id><published>2010-02-05T01:22:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T08:30:45.157-08:00</updated><title type='text'>A vitrine cairota</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vlsf0pDWI/AAAAAAAAAGE/hEzvbSI0qmI/s1600-h/Piramides.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vlsf0pDWI/AAAAAAAAAGE/hEzvbSI0qmI/s400/Piramides.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434689927971933538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Houda Blum Bakour - Pirâmides de Gize&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O post de hoje foi escrito com a colaboraçao de Houda B.Bakour)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande amiga minha, companheira de doutorado, está no Cairo fazendo sua pesquisa de campo para a tese.  Houda Blum Bakour pesquisa religião, e seu trabalho versará sobre os coptas, uma religião cristã, fundada no Egito, e que hoje representa uma minoria religiosa naquele país.  Estima-se que algo como 10%.  Os outros 90% da população egípcia são muçulmanos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os muçulmanos são os seguidores do Islã, que, em algumas fontes consta com o significado de “submissão”, e em outras de “entrega” com o sentido de obediência a Deus, ou &lt;em&gt;Allah&lt;/em&gt;.  Não há um líder muçulmano máximo como entre os cristãos católicos e ortodoxos há.  Os coptas no Egito – e da diáspora – estão submetidos à autoridade do Papa de Alexandria, atualmente Shenouda III.   Por não haver um líder que dirija o Islã, seus seguidores obedecem aos escritos do Alcorão, seu livro sagrado, e, seus diversos segmentos criam diferentes interpretações sobre o Livro Sagrado, através de autoridades religiosas locais.  Daí algumas diferenças que podemos perceber.  Uma delas através do vestuário feminino.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos noticiários brasileiros, não raro, nos deparamos com a imagem da mulher muçulmana, subjugada e obrigada a se vestir com pesadas burcas, que cobrem totalmente o seu corpo, e que as impede de olhar para os lados.   No entanto, o que muita gente não percebe é que as diversas interpretações do Alcorão também resultam em mulheres vestidas de diferentes formas.   A fotógrafa britânica Harriet Logan em seu livro Mulheres de Cabul (publicado no Brasil pela Ediouro, 2006) apresenta histórias de vida de diferentes mulheres afegãs e de como foram reprimidas socialmente desde que o regime Taleban se instalou no país, começando pelo vestuário.   Na última capa do mesmo livro, no entanto, vemos uma foto de mulheres afegãs, muçulmanas, antes do domínio Taleban, usando mini-saias.   Os Talebans são um movimento extremista que nasceu através de membros da etnia denominada Pashtun durante a guerra fria entre EUA e URSS.  Um grupo religioso radical paquistanês foi armado pelos EUA e incentivado a entrar no Afeganistão “em nome de &lt;em&gt;Allah&lt;/em&gt;” para retomar o território norte que já estava sobre domínio Soviético.  Os Talebans, com sua interpretação radical do Alcorão, definiram, entre outras regras, o vestuário repressor para mulheres que chegaram a conhecer a mini-saia.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro momento me surpreendi quando Houda Bakour me contou que algumas mulheres muçulmanas poderiam envergar sua burca com forte orgulho de sua identidade étnica e religiosa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Egito, não há uma doutrina tão rigorosa em relação ao vestuário.  Houda circula pela capital, Cairo, usando seus jeans e blusas com manga comprida, e o véu não é obrigatório, ou melhor, a mulher que dispensá-lo não será apedrejada.  Porém, alguns códigos devem ser respeitados.  Como por exemplo, nunca expor o corpo. Houda conta que nos meses mais quentes, dificilmente se vê mulheres de saias curtas ou homens de bermuda, ou roupas sem manga circulando pela cidade.  Lá, homens e mulheres respeitam esses códigos considerados morais mais do que religiosos, pois são relativos à cultura egípcia de forma mais ampla, e cristãos e muçulmanos os respeitam.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vlsn3A_vI/AAAAAAAAAGM/oohLqYsXp4A/s1600-h/Huda_desertoBranco.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vlsn3A_vI/AAAAAAAAAGM/oohLqYsXp4A/s400/Huda_desertoBranco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434689930129374962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Houda no Deserto Branco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente Houda me enviou uma fotografia muitíssimo interessante.  Trata-se de uma vitrine numa loja de roupas femininas no Cairo.  A foto me causou estranhamento e muita curiosidade.  Manequins envergam modelos de cores escuras, cobrindo todo o corpo, incluindo a cabeça que recebe um véu da mesma cor que o restante da roupa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vltFc_CoI/AAAAAAAAAGU/6dVxb_qNpkM/s1600-h/Vitrineegipcia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 278px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vltFc_CoI/AAAAAAAAAGU/6dVxb_qNpkM/s400/Vitrineegipcia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434689938073258626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto: Houda Blum Bakour - vitrine cairota. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A elaboração de vitrines é uma ação importante dentro do planejamento de marketing de uma loja no setor de vestuário.   A exposição das roupas deve ser feita de modo a atrair a consumidora.  É a vitrine que mostrará às pessoas que passam pela rua que atmosfera encontrarão dentro da loja, que estilo de produto.  Ou seja, a vitrine é o ponto de contato entre as pessoas que transitam nas ruas e a loja.  A decisão de entrar ou não em uma loja passará pela avaliação inicial da vitrine. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi por isso que decidi convidar Houda para uma entrevista, com a expectativa de ouvir (ou ler) a partir de sua vivência num país de cultura tão diferente da nossa, algo sobre a tal vitrine, e entender algumas lógicas de mercado e consumo de vestuário naquele país.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por e-mail, Houda me enviou a seguinte entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Onde exatamente foi feita esta fotografia: em que tipo de bairro e em que tipo de loja?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Essa é a vitrine de uma loja no centro do Cairo. Numa região próxima a hotéis, agências de viagem, bancos, repartições públicas e empresas. O que significa que a ‘clientela’ é bem diversificada, como pessoas que trabalham na região, mas principalmente turistas.  E não podemos esquecer que turistas no Cairo, e no Egito, de forma geral, não são só os europeus, americanos, etc... Existe um fluxo considerável de turistas vindos dos países árabes próximos (Emirados, Arábia Saudita, Sudão e os países do norte da África). Esta  é considerada uma loja que vende roupas de boa qualidade e caras para os padrões locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; As roupas parecem bem pesadas.  Você percebe que as mulheres do Cairo já estão nas ruas usando roupas como essas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Bom, estamos no inverno, é uma vitrine de inverno, e ao contrário do que pensamos, faz frio nesta cidade. Não é um frio ‘europeu’ mas exige roupas mais pesadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; O que muda quando chega o verão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Os tecidos são mais suaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange: &lt;/strong&gt;Há algum motivo (que não a moda) para que a cor escura predomine?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; A cor preta, se formos falar em termos de moda, podemos dizer que faz parte de uma ‘moda religiosa’. As roupas desta vitrine são predominantemente pretas por seguirem esta tendência.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; As peças parecem que formam um conjunto.  Há um nome específico para o conjunto? Há um nome para o véu separadamente?  Como se chamam as roupas expostas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Essas formam um conjunto sim, em geral o uso de tecidos pretos que envolvam o corpo e a cabeça das mulheres são chamados de Hijab. Mas este nome vem do uso da cor preta e da forma de se cobrir a cabeça. Esses modelos ‘conjunto’ são relativamente recentes e tem uma relação direta com um fluxo transnacional, que se deu a partir de meados dos anos setenta, de trabalhadores egípcios (e de outros países árabes) em busca de trabalho nos países do golfo. Hoje, 30 anos depois, existe uma população ‘flutuante’ neste sentido, que vão e vêm e há uma discussão bastante interessante sobre a influência hoje presente na sociedade egípcia que veio através deste fluxo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange: &lt;/strong&gt;Por que o véu?  O uso é obrigatório ou só recomendado?  Todas as mulheres usam véu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Nossa, quanta pergunta numa pergunta só..rsrs! Vamos lá: O Islã é uma religião que não conta com uma autoridade religiosa máxima (como o Papa para os cristãos). Todos os líderes religiosos se baseiam no Alcorão (livro sagrado) e na vida de Maomé e suas interpretações. O Alcorão recomenda o uso do véu para as meninas após a primeira menstruação. O que existe são diversas interpretações a respeito desse uso (quando, como, etc). Sempre existiram mulheres muçulmanas que usam e que não usam o véu. Mas também a partir dos meados do século passado, houve – por diversas razões que necessitariam de um texto a parte – o  início de um maior envolvimento religioso dentro da sociedade egípcia, e com isso podemos dizer que hoje 90% das mulheres muçulmanas no Egito usam algum tipo de véu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt;  Não há estampas.  Isso se deve ao estilo, à moda, ou alguma regra cultural?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Há muitas estampas, cores, formas, sobreposição de tecidos, etc... A vitrine que vocês vêm, como mencionei acima, expõe um estilo especifico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Essas roupas seriam usadas em que ocasiões?  São roupas consideradas localmente formais, informais, roupas para trabalho, lazer, ou as cairotas não fazem este tipo de classificação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Essa divisão de formalidade e informalidade não encaixa muito bem dentro da cultura local. Podemos dizer que existem roupas de casa,  roupas de sair e roupas de festa. Este estilo que está na vitrine, por exemplo, exige uma outra roupa por baixo, que pode ser uma calça jeans, um vestido ou até mesmo a própria roupa de casa. Isto vai depender para onde a mulher está indo.  Porque se estiver indo para a casa de sua família ou de amigas, ao chegar lá ela vai tirar esta veste e vai ficar com a roupa que está por baixo (e aí é outro estilo, outra moda, etc... a moda aqui é em camadas..rsrsr). Agora, se estiver indo para um lugar público (loja, banco, mercado, etc) ela pode estar vestida com quase qualquer coisa por baixo, pois não vai precisar tirar  o ‘conjuntinho’. Se estiver indo para uma festa também muda tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Há uma roupa curta de cor clara no canto esquerdo.  Ela se destaca das demais.  Como é o uso de roupa curta? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; A roupa curta é um casaco de inverno, está lá para quem não usa o outro estilo ou, o que é mais provável, para as filhas mais novinhas que ainda não precisam usar o véu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt; Como as mulheres se vestem no seu cotidiano?  Você percebe entre elas, por exemplo, o uso do jeans?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Como já disse existem inúmeras formas de se vestir, e de usar ou não usar o véu. Existem muitas meninas principalmente as mais novas, universitárias, etc que usam jeans e casaco (já que estamos no inverno) e um véu que geralmente combina com a cor da roupa, etc.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Solange:&lt;/strong&gt;  Como essas roupas aparecem na mídia?  Há revistas de moda?  Como são as revistas de moda?  Quais as possíveis influências midiáticas nas escolhas das mulheres cairotas para se vestir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houda:&lt;/strong&gt; Eu não sei ainda. Revista de moda eu não vi nas ruas. Aqui não existem bancas de jornais, existem umas pessoas que seriam uns jornaleiros mas que expõem jornais, livros e algumas revistas na rua mesmo, e nesses ‘jornaleiros’ eu não vi nenhuma revista de moda. Os comerciais da televisão podem ser um veículo, mas indireto. Não vi ainda propagandas de lojas de roupas, mas as mulheres dos comerciais em geral não usam véu, só os comerciais de produtos para casa (sabão em pó, caldo Maggi, etc..), quer dizer, as ‘donas de casa’ geralmente estão com véu. Mas isso também tem a ver com a origem dos comerciais.  Se for do Golfo, aí é com véu. As apresentadoras da TV egípcia estatal, por exemplo, não usam véu, e dizem que é uma exigência. A TV aqui é via satélite então pega de tudo, mas tem o satélite principal, mais usado, NileTV, a maioria de seus canais são dos países árabes. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4f2sH3ICPI/AAAAAAAAAHU/mDlLIDHRNcU/s1600-h/062.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S4f2sH3ICPI/AAAAAAAAAHU/mDlLIDHRNcU/s400/062.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5442589912585472242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Recebi esta foto depois de publicar o post.  E de Jacques Lerer, que esteve recentemente com Houda Bakour e Fatima Portilho no Cairo.  Valeu, pessoal!!!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa curiosa.  Adoraria poder desenvolver ainda mais cada uma dessas questões, mas ainda não é a proposta deste espaço.  Por ora, basta sabermos que o vestir pode sofrer forte influencia religiosa, mas que isso não significa que não haja uma gama de possibilidades diferentes à disposição das mulheres, e que a criatividade não atue na estratégia de vestir e combinar as peças. Afinal, mulheres são sempre mulheres em qualquer parte do mundo, seguindo qualquer doutrina religiosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-387809368668218135?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/387809368668218135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/02/vitrine-cairota.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/387809368668218135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/387809368668218135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/02/vitrine-cairota.html' title='A vitrine cairota'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2vlsf0pDWI/AAAAAAAAAGE/hEzvbSI0qmI/s72-c/Piramides.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-1543864167238427673</id><published>2010-02-01T05:01:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T11:04:11.207-08:00</updated><title type='text'>Procura-se moça com boa aparência</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2bRTnV0n3I/AAAAAAAAAFs/416Kjw9puzU/s1600-h/Digitalizar0001.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2bRTnV0n3I/AAAAAAAAAFs/416Kjw9puzU/s400/Digitalizar0001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433260135377313650" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Foto: Solange Mezabarba-Afrodite-Museu Nacional Arqueológico - Atenas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as vezes que uma mulher é vítima de um erro médico ou uma fatalidade na mesa operações para uma cirurgia plástica ou lipoaspiração, e infelizmente não são poucas, as críticas são inevitáveis.  Os erros médicos quase sempre são menos atacados do que as vítimas.   Quem mandou querer melhorar a aparência?  Quem mandou se submeter à vaidade?  Quem mandou usar de artifícios “mágicos” para perder as gordurinhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, já dizia o poeta que “As muito feias que me perdoem.  Mas beleza é fundamental”, e a despeito dessa ditadura do “politicamente correto” que vivemos na atualidade, o poeta, que escreveu muito antes disso, tinha razão.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente aprendi a diferença entre as belas e as normais bem cedo.  Na escola, ainda na primeira série, quinze dias depois de iniciadas as aulas, Valéria chegou.  Sua aparência se destacava das demais meninas da turma, e quiçá, da escola.   De uma hora para outra, todas as meninas queriam ser suas amigas, todos os meninos a viam com admiração.  Todos a deixavam passar na frente na fila da cantina, era sempre escolhida pra ser a rosa na brincadeira da Rosa Juvenil.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Richard Sennett lembra que na Grécia de Péricles (estadista ateniense morto em 429 a.C.), os guerreiros eram retratados nus.  Isso mostrava que eram civilizados e que o corpo belo e forte dos guerreiros atenienses era uma marca de distinção entre os fracos e os vulneráveis.  A aparência masculina era usada para impor respeito.  As mulheres permaneciam reclusas em suas casas, e, ao contrário dos homens que trajavam roupas largas expondo o seu corpo pelas ruas, elas, quando saiam às ruas, usavam túnicas de linho cobrindo os tornozelos.  A beleza da mulher era celebrada através da mitologia de Afrodite, que também simboliza a sexualidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cristianismo inaugura uma atitude ambivalente em relação à beleza.  Se o ser humano é a imagem de Deus, sua aparência é divina, o que relaciona a beleza ao criador. Mas a beleza também simboliza a tentação da carne e a vaidade, um dos sete pecados capitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe, que precisou fazer uma plástica reparadora nos seios, aceitou a sugestão do médico de “aproveitar a anestesia e fazer uma plástica na barriga”.  Em casa, no entanto, percebia-se a culpa.  Era como se a cirurgia reparadora fosse legítima, mas a plástica na barriga, uma entrega desnecessária à vaidade.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicóloga Nancy Etcoff de Harvard corrobora a percepção que tive da amiguinha da escola, Valéria, aos sete anos de idade.  A experiência da beleza, em especial para as mulheres, abre portas.  Para a psicóloga, ninguém quer contrariar as belas, por isso elas conseguem ser mais convincentes, pessoas bonitas abrem espaço nas ruas para caminhar, sem que ninguém esbarre em seus corpos, pessoas belas fazem amigos mais facilmente.  A psicóloga é contundente ao afirmar que o mais cruel e velado preconceito da humanidade é contra aqueles considerados feios. Não é à toa que num passado recente era comum vermos anúncios na seção de empregos pedindo pessoas “com boa aparência”, seja lá o que isso for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos num mundo em que o belo corpo e o belo rosto são um capital, como bem classificou a antropóloga brasileira Miriam Goldenberg.   Disso não podemos fugir.  E ser magra hoje é um padrão de beleza desejado pelas mulheres.   Mas, como diz Pierre Bourdieu, os capitais são distribuídos desigualmente nos diferentes campos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a moça, vítima de erro médico na lipoaspiração, cheguei a ler no blog de um jornalista que o nosso Ministro da Saúde deveria proibir as lipoaspirações no Brasil. Li também comentários de muita gente, como sempre, repreendendo as pessoas que acreditam em fórmulas mágicas para alcançar um ideal de beleza inatingível.  Mas sejamos sinceros, quem não gosta de acreditar em fórmulas mágicas?   A propaganda se vale da nossa propensão para acreditar em fórmulas mágicas.   Cabe ao governo, não proibir, mas fiscalizar duramente os profissionais e os produtos que se apresentam como “fórmulas mágicas” e dobrar a atenção com os discursos que prometem milagres.   A moça era jornalista de telejornais, o que fazia da sua imagem, uma vantagem competitiva no seu campo de atuação. Provavelmente, a despeito de sua posição privilegiada como jornalista, ela acreditava em "formulas mágicas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2bYNjeH3hI/AAAAAAAAAF8/vCNMdEw7Y-Y/s1600-h/Marcia_Luxo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2bYNjeH3hI/AAAAAAAAAF8/vCNMdEw7Y-Y/s200/Marcia_Luxo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433267727840566802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Foto:Solange Mezabarba&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres com quem conversei para a minha pesquisa de campo na ocasião da minha dissertação de mestrado, eram taxativas ao reclamar das lojas que não vendiam roupas adequadas para quem estava com uns quilinhos a mais.  Então o mercado também prefere mulheres magras.  Mas o vestuário, para essas cariocas, era um importante elemento no jogo das aparências.  Não porque as roupas deveriam ser caras ou com marcas famosas, mas deveriam tomar parte no jogo de mostrar o que todo mundo diz que é bonito, e esconder o que todos criticam na aparência feminina.  A adequação ao corpo era o principal item a influenciar nas escolhas das roupas do dia-a-dia.  A exceção eram as escolhas para as ocasiões consideradas de maior formalidade, como festas de casamento, ou outros eventos.  Neste caso, a roupa é que buscava a adequação do corpo.  Uma das mulheres, a da foto acima à esquerda, relatou o caso do jantar num cruzeiro de luxo, em que usava o vestido vermelho da foto, tão justo, que nem pode comer direito.  Tudo para sustentar a elegância de envergar o tal vestido.   Todas sofremos com saltos altos, vestidos justos, depilação a cera, tudo para nos mantermos “socialmente desejáveis”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra pesquisa que realizei a um tempo atrás, com mulheres acima de 60 anos, entrevistei uma senhora.  Perguntei-lhe por que fazia questão de se vestir tão esmeradamente no seu cotidiano, não dispensando cuidados constantes com o cabelo e as unhas feitas no salão.  Ela me respondeu: “se você anda feio e desleixado, ninguém nem vai querer se sentar do seu lado no ônibus”.   Inconscientemente essa mulher ela sabia o que era ser “socialmente desejável”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estamos mais na era dos espartilhos, mas também não mais na era do confinamento.  As mulheres estão nas ruas. Como lembra o historiador Georges Vigarello, a mulher renascentista, pela primeira vez é liberada da tradição que a demonizava, a beleza se assemelha a uma reabilitação, “é a primeira forma moderna de um reconhecimento social”, diz Vigarello em “Historia da Beleza”, publicado no Brasil pela Ediouro.   A deselegância era uma marca social de inferioridade.  Isso tudo felizmente mudou para nós mulheres das sociedades ocidentais modernas, mas implicitamente, sabemos que a beleza continua sendo fundamental.  Não por vaidade, mas como um inevitável facilitador nas nossas relações cotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: Vinicius termina seu poema da seguinte forma - "Do efêmero; em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável" (Do poema: Receita de mulher).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-1543864167238427673?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/1543864167238427673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/02/procura-se-moca-com-boa-aparencia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1543864167238427673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1543864167238427673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/02/procura-se-moca-com-boa-aparencia.html' title='Procura-se moça com boa aparência'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2bRTnV0n3I/AAAAAAAAAFs/416Kjw9puzU/s72-c/Digitalizar0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-1946780543390211774</id><published>2010-01-28T16:35:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T05:23:49.827-08:00</updated><title type='text'>Chapéus e Tecelãs em Chincheros</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I2A-GzTUI/AAAAAAAAAD0/-GRCpIExP6k/s1600-h/IMG_2385.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I2A-GzTUI/AAAAAAAAAD0/-GRCpIExP6k/s400/IMG_2385.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431963490861665602" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Foto: Solange Mezabarba - Mulher e criança na estrada entre Arequipa e Chivay - Peru&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres das diversas etnias que habitam o território do Peru se diferenciam por seus chapéus.  O chapéu não é somente um acessório, mas um objeto que marca etnia, região de origem, a mulher casada e a solteira.  Não vi homens tipicamente vestidos, como vi mulheres, pelas ruas das pequenas cidades peruanas que visitei, o que, como observadora, me leva a crer que as mulheres são as grandes guardiãs das tradições desses povos pré-incas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os chapéus foram trazidos pelos espanhóis, e substituíram outras formas de diferenciação étnica.  Entre os &lt;em&gt;cabañas&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;collaguas&lt;/em&gt;, por exemplo, a deformação craniana era o que os diferenciava.  &lt;em&gt;Cabañas&lt;/em&gt; deformavam o crânio no sentido horizontal, gerando uma cabeça “chata”.  &lt;em&gt;Collaguas&lt;/em&gt;, na vertical. O critério eram os deuses que eles adoravam, representados pelas montanhas.  A deformação craniana seguia o formato das montanhas adoradas. A mulher da foto, por seu chapéu, aparentemente, pertence à etnia &lt;em&gt;collagua&lt;/em&gt;. Usa um modelo branco, adornado com uma fita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres de Chincheros que fizeram uma demonstração de como produzem seus tecidos, usam outro tipo de chapeu.  Os chapéus das mulheres de Chincheros são típicos das mulheres &lt;em&gt;quéchuas&lt;/em&gt;. Já a senhora da foto do &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; anterior usava um chapéu que deveria ser a marca das mulheres da etnia &lt;em&gt;cabañas&lt;/em&gt;, fundo preto, bordado com motivos coloridos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, deixemos os chapéus, e vamos à produção de tecidos, que foi o que eu prometi no último &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I3--auvLI/AAAAAAAAAD8/0tL5w-Tc9u0/s1600-h/IMG_2773.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I3--auvLI/AAAAAAAAAD8/0tL5w-Tc9u0/s400/IMG_2773.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431965655608769714" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Fotos:Solange Mezabarba - todas as imagens foram feitas numa comunidade de tecelãs em Chincheros - Peru.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres usam as lãs dos pêlos das lhamas, ou das alpacas.  Uma raiz local chamada &lt;em&gt;Sacda&lt;/em&gt; é usada para o clareamento das lãs.  A raiz é ralada e misturada à água morna numa tigela, onde mergulham a lã em seu estado natural.  O enxágüe é feito em outra tigela com água limpa e fria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I4nAhUUZI/AAAAAAAAAEE/bMTs1paGo8s/s1600-h/IMG_2776.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I4nAhUUZI/AAAAAAAAAEE/bMTs1paGo8s/s400/IMG_2776.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431966343368036754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eficiência da &lt;em&gt;Sacda&lt;/em&gt; como alvejante é demonstrada pela tecelã na fotografia.  A lã então está pronta para a próxima etapa: a fiação.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I5nwjwXFI/AAAAAAAAAEM/vYJ_2NNQt_Y/s1600-h/IMG_2783.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I5nwjwXFI/AAAAAAAAAEM/vYJ_2NNQt_Y/s400/IMG_2783.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431967455774792786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I6m7DHK-I/AAAAAAAAAEU/jHXVUHpwDXg/s1600-h/IMG_2785.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I6m7DHK-I/AAAAAAAAAEU/jHXVUHpwDXg/s400/IMG_2785.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431968540922424290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a fiaçao, inicia-se o processo de tingimento.  Os corantes são elaborados com matérias-primas locais, retiradas de plantas e pequenos animais, como a &lt;em&gt;cochonilla&lt;/em&gt;, uma espécie de praga que ataca os cactus locais.  A &lt;em&gt;cochonilla&lt;/em&gt; fornece a cor bordô.   O &lt;em&gt;mutuy&lt;/em&gt;, da família das acácias fornece a cor amarela, o milho negro (&lt;em&gt;maiz negro&lt;/em&gt;), o roxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I7jTHeoNI/AAAAAAAAAEc/-WedVkmMhhA/s1600-h/IMG_2799.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I7jTHeoNI/AAAAAAAAAEc/-WedVkmMhhA/s400/IMG_2799.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431969578175340754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I7j3OPpYI/AAAAAAAAAEk/p-KTo-clYMk/s1600-h/IMG_2793.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I7j3OPpYI/AAAAAAAAAEk/p-KTo-clYMk/s400/IMG_2793.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431969587867395458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2Kz4h5UKHI/AAAAAAAAAFk/HZuGas1_KE8/s1600-h/IMG_2796.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2Kz4h5UKHI/AAAAAAAAAFk/HZuGas1_KE8/s400/IMG_2796.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432101884315052146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As plantas e mesmo a &lt;em&gt;cochonilla&lt;/em&gt; depois de raspada, vão ao fogo, numa panela com água, e são deixadas lá para reduzir.   O sal é usado como fixador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I8R2zBlxI/AAAAAAAAAEs/6-glYRiz-Jk/s1600-h/IMG_2806.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I8R2zBlxI/AAAAAAAAAEs/6-glYRiz-Jk/s400/IMG_2806.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431970378027210514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I8SD3rCtI/AAAAAAAAAE0/-n_PkAd2P0A/s1600-h/IMG_2810.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I8SD3rCtI/AAAAAAAAAE0/-n_PkAd2P0A/s400/IMG_2810.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431970381536365266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fios estão prontos para para se tornarem tecidos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I9Ktic5jI/AAAAAAAAAE8/q3HDnIbxc3I/s1600-h/IMG_2815.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I9Ktic5jI/AAAAAAAAAE8/q3HDnIbxc3I/s400/IMG_2815.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431971354794321458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I9LAdLdYI/AAAAAAAAAFE/jPck3ieI6aY/s1600-h/IMG_2816.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I9LAdLdYI/AAAAAAAAAFE/jPck3ieI6aY/s400/IMG_2816.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431971359872480642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei as mãos muito hábeis a traçar desenhos em aparelhos artesanais de tecelagem.   Uma espécie de "agulha" feita com osso de alpaca é um instrumento para auxiliar na confecção dos desenhos etnicos.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I-OwDFC5I/AAAAAAAAAFM/fWxyEX40Dck/s1600-h/IMG_2821.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I-OwDFC5I/AAAAAAAAAFM/fWxyEX40Dck/s400/IMG_2821.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431972523699145618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I-PV19JfI/AAAAAAAAAFU/e2bzn9pk35U/s1600-h/IMG_2823.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I-PV19JfI/AAAAAAAAAFU/e2bzn9pk35U/s400/IMG_2823.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431972533844649458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I-Pt_Tc_I/AAAAAAAAAFc/AGJ30Qa3fLM/s1600-h/IMG_2828.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I-Pt_Tc_I/AAAAAAAAAFc/AGJ30Qa3fLM/s400/IMG_2828.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431972540326310898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rapidez do processo impressiona. Os desenhos vão surgindo como que espontaneamente.  A eficiência do trabalho permite que um pequeno grupo de mulheres produza uma grande quantidade de mantas, gorros, blusas, casacos.  Só mesmo acompanhando o trabalho dessas mulheres para entender que a profusão de tendas repletas de artigos de alpacas e lhamas que pontilham essa região do país acompanham uma tradição artesanal passada de geração para geração.   Eu comprei um casaco de lã de alpaca.  Além de muito bonito, com seus desenhos coloridos, o material é levíssimo, quentinho e os preços são bastante baixos.  Sem contar que, sinto como se tivesse trazido comigo, na bagagem, um pouco da tradição peruana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-1946780543390211774?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/1946780543390211774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/01/as-mulheres-das-diversas-etnias-que.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1946780543390211774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/1946780543390211774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/01/as-mulheres-das-diversas-etnias-que.html' title='Chapéus e Tecelãs em Chincheros'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2I2A-GzTUI/AAAAAAAAAD0/-GRCpIExP6k/s72-c/IMG_2385.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-4159375706447567232</id><published>2010-01-27T10:24:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T05:21:05.669-08:00</updated><title type='text'>En Chincheros...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2CGI_ZbIgI/AAAAAAAAABs/cHXo2gWylQY/s1600-h/IMG_2432.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2CGI_ZbIgI/AAAAAAAAABs/cHXo2gWylQY/s400/IMG_2432.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431488639623963138" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Foto: Solange Mezabarba - Mulher em Chivay&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chincheros é uma cidadezinha peruana que fica nos arredores de Cuzco, e que vive basicamente das hábeis mãos de mulheres tecelãs.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em Chincheros há dois anos.  Foi uma visita rápida, depois de muito insistir com o nosso guia, pois não me contive de curiosidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já nos séculos XVI e XVII os viajantes relatavam sobre os tecidos da região andina, com seus desenhos coloridos.  Mas a tradição dos tecidos e seus elementos iconográficos antecedem a civilização inca.  Esta aparece, segundo historiadores, por volta do ano de 1200, e tem seu fim marcado pela eliminação do seu imperador Atahualpa em 1533.   Outras etnias já existentes no continente antes do império inca sobrevivem com suas tradições.   E os ícones que usam em sua arte têm relação direta com os simbolismos do seu povo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por não haver ainda corte e modelagem no período inca, eram os desenhos e os tecidos os marcadores da posição social ocupada por quem os envergava.  Para além do povo inca, os tecidos desempenhavam um papel central nas sociedades andinas.  Estavam presentes em ritos de passagem, cerimônias religiosas, nas mortalhas dos grandes líderes entre os diferentes povos que habitavam a região.  Os tecidos eram também presenteados para selar um compromisso de casamento, serviam como pagamento de tributos e eram exibidos como troféus quando tomados de inimigos vencidos em uma guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajando pelo Peru, nos deparamos em cada canto com uma etnia diferente em suas tendas a vender gorros, luvas, casacos, mantas, tapetes, e cada etnia com um grupo de desenhos simbolizando sua tradição iconográfica.  É sempre espantoso observarmos a quantidade de peças expostas pelas vendedoras, e elas, sempre vestidas de acordo com a sua tradição.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao conhecer de perto as mulheres de Chincheros, percebemos que a tradição continua sendo passada às gerações, e que tudo é confeccionado com regras próprias.  No próximo post quero mostrar como elas produzem os seus tecidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-4159375706447567232?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/4159375706447567232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/01/en-chincheros.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/4159375706447567232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/4159375706447567232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/01/en-chincheros.html' title='En Chincheros...'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S2CGI_ZbIgI/AAAAAAAAABs/cHXo2gWylQY/s72-c/IMG_2432.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4677884583591241806.post-5475237392713650459</id><published>2010-01-25T05:58:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T05:19:43.637-08:00</updated><title type='text'>Por aí...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S12wUC7O0PI/AAAAAAAAAAc/iidvT-ebx4w/s1600-h/IMG_0283.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430690584107864306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S12wUC7O0PI/AAAAAAAAAAc/iidvT-ebx4w/s400/IMG_0283.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt; &lt;em&gt;Foto:Solange Mezabarba - Colonia (Alemanha) vista da Catedral&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando a gente vai pra rua, nunca volta igual".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta sábia frase foi dita por uma das mulheres com quem conversei na ocasião em que eu pesquisava para a minha dissertação de mestrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ruas, com seus fluxos, o vai e vem de pessoas e veículos se transformam no mais interessante espaço de interação social “não focalizada”, como diria Erving Goffman. É no reflexo desse espelho que nos miramos, miramos os outros, miramos as vitrines e interagimos, como Alice num certo país das maravilhas, com o que vemos dentro dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase da minha entrevistada mostra como trazemos as ruas para dentro de casa.  Neste processo, olhamos, observamos, criticamos, auto-criticamos, aprendemos, mudamos. As ruas são a minha mais importante fonte de informação. Mas não paro por aí. Quero saber o que as pessoas trazem delas, das ruas,  para dentro de casa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para citar Roberto DaMatta, as ruas guardam as surpresas, o movimento, a tentação. Na casa temos uma fronteira bem definida, é a nossa zona de conforto. Mais do que o ambiente da casa, me interesso pelo ambiente dos cabides, um dos destinos dos elementos das ruas que são guiados nesse trajeto, principalmente pelas mulheres. Das ruas aos cabides, os percursos desses elementos sao diversos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da frase acima proferida pela informante, a minha questão inicial: que elementos da rua são capazes de operar mudanças na maneira de consumir objetos de vestir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, as ruas e os cabides são meus espaços iniciais. Mas faço pausas providenciais em shopping centers, cafés, museus e mercados. Então... &lt;em&gt;andiamo via&lt;/em&gt;!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4677884583591241806-5475237392713650459?l=pelasruasecabides.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/feeds/5475237392713650459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/01/por-ai.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/5475237392713650459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4677884583591241806/posts/default/5475237392713650459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pelasruasecabides.blogspot.com/2010/01/por-ai.html' title='Por aí...'/><author><name>Solange Riva Mezabarba</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06330301094482520044</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_HB7eakE9QyM/S12wUC7O0PI/AAAAAAAAAAc/iidvT-ebx4w/s72-c/IMG_0283.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
